terça-feira, 2 de agosto de 2016

OS LUSÍADAS EM LATIM


Os Lusíadas é a obra poética por excelência da literatura portuguesa, de autoria do ingente poeta Luíz Vaz de Camões. É uma epopeia composta por 10 cantos, 1102 estrofes, 8816 versos, concluída em 1556 e publicada em 1572, em pleno período do classicismo português. A ação central é a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama ao entorno da qual histórias de Portugal vão sendo tecidas para a glória do povo português.

Daremos abaixo as três primeiras estrofes do Canto I de Os Lusíadas traduzidas em latim pelo Padre Frei Clemente de Oliveira numa tradução literal, rigorosa, em versos decassílabos:


Arma virosque pariter insignes             As armas e os barões assinalados
Lusitanis qui occiduis ab oris                Que da ocidental praia Lusitana,
  
Profecti, ignotis, metuendis altis           Por mares nunca de antes navegados,
Navigatis, Trapobanem et ipsam           Passaram ainda além da Taprobana,

Praeteriere, periclisque et bellis             Em perigos e guerras esforçados
Super naturam fortes imbecillam           Mais do que prometia a força humana

Inter remotas gentes novum regnum       E entre gente remota edificaram
Finxerunt, quod sublime reddidere         Novo Reino, que tanto sublimaram

                                                         * * *

Gloria item praestantes omnes reges       E também as memórias gloriosas
Qui christianam Fidem dilatarunt            Daqueles Reis, que foram dilatando

Imperiumque simul Lusitanum,               A Fé, o Império, e as terras viciosas
Errantes, Asiam, Africam vastantes;        De África e de Ásia andaram devastando;

Qui, grandium memoria factorum,           E aqueles, que por obras valerosas
Sempiternum supererunt in aevum,          Se vão da lei da morte libertando


Canens, faventibus et Musa et arte.         Cantando espalharei por toda parte,
Per totum prorsus orbem divulgabo.        Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

                                                         * * *

Docti Graeci et Troiani praedicari                Cessem do sábio Grego e do Troiano 
Ingentes desinant per maria cursus;             As navegações grandes que fizeram;

Regum praetermittantur Alexandri               Cale-se de Alexandro e de Trajano
Ac Traiani victoriae patratae:                       A fama das vitórias que tiveram;

Ego acres, claros Lusitanos canto,                Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
Quibus Mars bellax Neptunusque parent.     A quem Neptuno e Marte obedeceram:

Antiquae animo excidant Camenae;             Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Celebranda altiora surgunt gesta.                  Que outro valor mais alto se alevanta.


Paulo Barbosa

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