terça-feira, 10 de dezembro de 2013

'AGER E AGGER' EM LATIM

AGER e AGGER são dois substantivos latinos diferenciados apenas por uma consoante, a g, mas de significados totalmente diversos.

AGER é o campo de lavoura, ou seja, o campo preparado para o plantio de alimentos. Também pode significar as terras que são contíguas a uma cidade qualquer.

AGGER, por sua vez, tem variados significados, podendo ser:

   1. Monte de pedras, terra, areia, troncos de árvores, estacas, etc., próprio para fazer trincheira ou muro.

   2. Significa também a mesma trincheira ou tapume.

  3. Terrapleno, ou seja, terra levada para algum lugar com a finalidade de torná-lo plano. É o mesmo que terraplenagem.

   4. Entulho ou monte de material destinado a tapar fossos.

   5. Eminência ou terreno elevado de grande tamanho.

Paulo Barbosa.

DOUTO, ERUDITO E PERITO: QUAL A DIFERENÇA?

O douto, o erudito e o perito são pessoas que possuem talentos intelectuais, conhecedoras de conceitos e coisas mais que o simples homem culto e ou o estudado medianamente, mas entre os três há as seguintes diferenças:

O DOUTO, do latim 'DOCTUS', é o homem sábio, é o que recebeu instrução esmerada de outra pessoa, um mestre, e que, portanto, é esclarecido nas ciências ou em uma dada ciência. Deste adjetivo provém o substantivo 'doutor', em latim 'doctor', aquele que recebeu conhecimento ilustrado sobre alguma ciência.

O ERUDITO, composto do latim E RUDIS, ou seja, QUASI MINIMI RUDIS = quase nada rude, é o adjetivo que qualifica o sujeito sábio enquanto versado, sobretudo, em letras e literatura. Tal sujeito possui mais conhecimentos superficiais e sobre variados temas. É exatamente essa variedade superficial que distingue o erudito do douto, pois este último é possuidor de conhecimentos mais intensos, profundos, do que extensos e superficiais.

O PERITO, do latim ITUS PER, sendo 'itus' particípio do verbo 'ire', ir, mais a preposição 'per' que, em seu sentido original, significa 'para diante, para frente'. Etimologicamente, então, perito é aquele sujeito que foi (itus = o que foi) para frente (pre) em conhecimento, ou o que foi até à perfeição, até o fim, mas com a peculiaridade de que tal conhecimento é adquirido pelo uso, pela experiência, pelo hábito. O perito, portanto, é o sujeito que possui a sabedoria experimental, empírica, e não a acadêmica.

Paulo Barbosa.




USO DO -QUE ENCLÍTICO NO LATIM CLÁSSICO

O -QUE enclítico, que é a conjunção aditiva E, no período clássico latino era empregado, principalmente, para ligar ou conectar conceitos geralmente afins ou sinônimos, encerrando, assim, uma série de expressões referentes a uma mesma coisa. Sua tradução, nestes casos, pode também ser 'e com efeito', 'e por conseguinte'. Vejamos alguns exemplos:

Ferro igniQUE = a ferro E fogo (Cícero, Phil., 11,37).

Terra mariQUE = por terra E por mar (Cícero, Pomp., 56).

Domi militiaeQUE = na paz E na guerra (Cícero, Tusc. 5, 55).

Peto quaesoQUE = peço E solicito (Cícero, Fam., 5, 4,2).

Ad Rhenum finesQUE Germanorum contenderunt = dirigiram-se para o Reno E POR CONSEGUINTE para as fronteiras dos germanos (César, B. Gal., 1, 27,4).

Paulo Barbosa

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

VERBOS DENOMINATIVOS EM LATIM

VERBOS DENOMINATIVOS são aqueles que derivam ou de substantivos ou de adjetivos. Primeiramente tais tipos verbais pertenciam somente aos nomes de temas em -a, mas com o passar do tempo começaram a aparecer também oriundos dos demais temas da flexão nominal latina. Assim:

PLANTO, eu planto, é verbo denominativo, isto é, derivado do substantivo de tema em -a PLANTA, AE, planta.

SERVO, eu guardo, é derivado do substantivo SERVUS, I, servo, escravo - que eram 'os conservados' numa guerra para o trabalho. Ou seja, não eram mortos.

LAUDO, eu louvo, é denominativo de LAUS, LAUDIS, louvor.

CAECO, eu cego, deriva do adjetivo CAECUS, I, cego.

A grande maioria dos verbos da primeira conjugação são denominativos. O perfectum destes é sempre em -avi: plantAVI = eu plantei; amAVI = eu amei; servAVI = eu conservei; laudAVI = eu louvei, etc., e o particípio em -atus: plantATUS = plantado; amATUS = amado; servATUS = conservado; laudATUS = louvado.

Paulo Barbosa

sábado, 16 de novembro de 2013

Ablativo Absoluto Latino, uma oração circunstancial

O ABLATIVO ABSOLUTO LATINO existe quando um nome ou um pronome que estão no caso ablativo vem acompanhado por um particípio ou por um adjetivo ou outro substantivo aposto. A frase formada assim sempre funcionará como adjunto circunstancial da oração principal, ou seja, será um adjunto adverbial. 

Convencionalmente é denominado de 'ablativo absoluto' tal expressão ou frase por nenhuma de suas palavras ou termos dependerem sintaticamente da oração principal. O adjetivo absoluto significa exatamente independente, não ligado a, não sujeito a. Vejamos alguns exemplos:

"His rebus cognitis"... (César, B. Gal., V, 11,1), "conhecidos estes fatos"...

"Fugato omni equitatu" (César, B. Gal., VIII, 88,1), "posta em fuga toda a cavalaria".

"Pisone, Gabinio consulibus" (César, B. Gal., I,6,4), "durante o consulado de Pisão e Gabínio".

Paulo Barbosa 

Multum, non multa... O preceito da especialização.

Assim se expressou Plinio, o Jovem (61-113 e.c.) em uma de suas numerosas cartas: 'Aiunt enim multum legendum esse, non multa', 'dizem, pois, que se deve ler muito, não muitas coisas'. É um bom  preceito pedagógico para a especialização, a capacitação intensiva num ramo do saber, bem melhor do que tratar muitos assuntos de maneira superficial.

Paulo Barbosa

Pronome relativo em latim

O pronome relativo funciona exprimindo relação existente entre a oração em que figura e um substantivo de uma outra oração que, geralmente, vem antes. Assim, na oração: O médico QUE salvou papai se chama Luis, a partícula QUE é um pronome relativo que resgata o substantivo médico da oração precedente. 

Em latim, o pronome relativo concorda com o seu antecedente em gênero e número, mas não em caso, pois este sempre é determinado pela função que desempenha na própria oração a que pertence. Vejamos alguns exemplos de relativos latinos:

"Vos, dii patrii, QUI populum Romanorum servatis testor" (Cícero, Sul., 86), "Ó deuses pátrios QUE salvastes o povo romano, invoco-vos como testemunhas". 

"Deorum numero eos solos ducunt QUOS cernunt et QUORUM aperte opibus iuvantur" (César, B. Gal., VI, 21,2), "consideram no número dos deuses só os QUE eles vêem e com o auxílio DOS QUAIS são manifestamente ajudados".

Paulo Barbosa

sexta-feira, 5 de julho de 2013

POPLIFUGES E JOGOS APOLINÁRIOS

NO CALENDÁRIO PAGÃO, no dia 5 de julho duas festividades eram comemoradas em Roma, a POPLIFUGES e os JOGOS APOLINÁRIOS.

A primeira era uma festa em honra a Júpiter Ótimo Máximo, protetor da Cidade e do Estado Romano e possuidor do maior templo romano construído na Colina do Capitólio. Era deste deus que emanavam a autoridade, as leis e a ordem social. A origem de seu culto é sabina, tendo sido introduzida em Roma por Numa Pompílio, o segundo rei (716-674 a.C.).

A segunda, os Jogos Apolinários, foi instituída em 212 a.C., e durava até o dia 12 de julho. Era celebrada todo tipo de cerimônias, tais como espetáculos circenses, representações cênicas, banquetes ao ar livre, sacrifícios a Apolo e a sua mãe Latona, dentre outros.

Paulo Barbosa