domingo, 25 de setembro de 2022

UMA CONCISA CRÍTICA FILOSÓFICA DO COMUNISMO

O comunismo embora não vá contra a natureza humana em abstrato, ou seja, a natureza subordinada à reta razão e isenta de paixões desordenadas, repugna a natureza humana em concreto, a saber, cercada de fraquezas e misérias, e isso pelos três seguintes motivos:

1º. A doutrina comunista se baseia em um falso princípio, pois parte da tese de que a propriedade particular repugna à lei natural. Essa tese, com certeza, é falsa, haja vista não haver repugnância da lei natural o que não repugna nem às relações do homem em referência a Deus, nem às relações do homem para com os bens naturais, nem às suas relações - do homem - para com o próximo. Ora, a propriedade particular não repugna nenhuma dessas relações: do homem com Deus, com os bens materiais e com o próximo. Com Deus, é evidente. Com os bens materiais, porque estes foram criados para o uso do homem e são indiferentes em relação aos seus possuidores. Com o próximo, porquanto, a propriedade particular não torna por si mesma impossível o exercício dos direitos inatos dos outros, nem os bens materiais são positivamente comuns a todos os homens, nem a desigualdade derivada da propriedade particular é contrária ao Direito natural, pois é essa mesma desigualdade a causa do progresso na ordem física e moral.

2º. Repugna a tendência natural do homem, pois todo homem possui a inclinação natural para o livre desenvolvimento de suas forças, para a posse livre e exclusiva dos bens materiais, para a própria dignidade, independência e liberdade. Ora, o comunismo destrói essa tríplice tendência humana. A tendência para o livre desenvolvimentos das forças e criatividade humanas quando obriga igualmente a todos os homens aos mesmos trabalhos. A tendência para a posse livre e exclusiva dos bens materiais quando impõe a socialização dos bens. A tendência para a dignidade, independência e liberdade pessoal quando obriga, mesmo com a coação, todos os homens a trabalhar para a utilidade alheia, reduzindo-os à condição de servos.

3º. Não dá uma compensação suficiente, pois no comunismo o Estado deve distribuir aos cidadãos, como compensação, uma parcela do fruto do trabalho proporcionada às suas necessidades e ao seu trabalho. Essa compensação poderia ser admitida se os superiores e súditos procedessem sempre com justiça e com boa consciência, porém, um procedimento justo e consciencioso é tão difícil que não se pode basear sobre ele o interesse da sociedade.

Paulo Barbosa

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O "TIL", USOS E ETIMOLOGIA

 O til (~) em gramática é um acento diacrítico que tem por função indicar, em certos casos, a nasalização das vogais, ou seja, a pronúncia das vogais onde o som ou o fonema são caracterizados pela vibração das narinas. Por exemplo: lã, põe, visões, etc.

Ha casos, entretanto, em que a nasalidade das vogais é indicada pelo m ou pelo n, como, por exemplo, em caimbra.

Etimologia. A origem da palavra til - também denominada tilde - vem do verbo tildar, com o sentido de colocar ênfase em uma letra, e, por sua vez, tildar vem do verbo latino titulare, colocar um título, um signo gráfico acrescido a um vocábulo para dar-lhe realce.

Na matemática o til é usado para designar aproximação, ou seja, uma representação inexata de alguma coisa. Exemplo:

~ 3,7 milhões de habitantes = aproximadamente 3,7 milhões de habitantes.

Na lógica o til é sinal de negação, servindo, pois, para negar uma proposição:

p: Hoje está chovendo

~ p: Hoje não está chovendo

No latim o til sobreposto a uma letra simbolizava o m ou o n:

Cũ ejusdẽ [...] diligẽtissime = cum eiusdem [...] diligentissime

Paulo Barbosa

segunda-feira, 23 de maio de 2022

PSÊUDOLUS, MAIS UMA COMÉDIA DE PLAUTO

 PSÊUDOLUS é uma comédia de Plauto, escrita em latim arcaico, que tira seu nome do autor de uma personagem da peça.

Enredo. Um soldado da Macedônia havia comprado uma moça chamada Fenícion das mãos de um mercador de prostitutas por vinte minas e dera quinze minas de entrada ou sinal. Fenícion deveria ser entregue ao enviado do comprador quando este mandasse as cinco minas restantes e uma carta com senha. A peça gira em torno das artimanhas pelos quais o escravo de seu pai, Psêudolus, após interceptar a carta e a senha do soldado, engana o proxeneta e leva Fenícion para Caliodoro.

Paulo Barbosa

quinta-feira, 19 de maio de 2022

ASINÁRIA, COMÉDIA PLAUTIANA

 ASINÁRIA é o nome de uma comédia burlesca de Plauto, dramaturgo romano, nascido em 230 a.C. e falecido em 180 a.C, ou seja, viveu durante o período republicano. Foi escrita em latim arcaico (240-81 a.C.), sendo uma adaptação do Onagros ("Asno"), obra de comediógrafo grego Demôfilos.

O enredo. Demêneto, um bondoso pai, deseja muito ajudar ao seu filho Argiripo a salvar a prostituta Filênion de uma velha cafetina, porém é tratado com muita tirania e violência por sua esposa que controla rigidamente as finanças do casal. Graças a uma artimanha de um de seus escravos, Demêneto consegue apoderar-se da soma de vinte minas que deveriam ser pagas ao mordomo de Artemona por alguns asnos que haviam sido vendidos - daí a origem do nome da obra -, e pai e filho, então, passaram a tarde comemorando com Filênion. Porém um rival na disputa dos favores da moça, furioso por ver-se preterido, avisa Artemona, que vai até o lugar da festa, de onde retira seu marido culpado em meio a terríveis ameaças. 

O provérbio "homo homini lupus" (o homem é lobo para o homem) deriva dessa comédia. 

Paulo Barbosa

quarta-feira, 18 de maio de 2022

VERBOS SEMIDEPOENTES

VERBOS SEMIDEPOENTES em latim são aqueles que nos tempos do infectum têm as formas conjugadas na voz ativa e nos tempos do perfectum, conjugadas na voz passiva.

1) Tempos do infectum significam a característica aspectual em que a ação executada por um sujeito se encontra em processo de realização. São: o presente, o pretérito imperfeito, o futuro imperfeito; o infinitivo presente passivo e ativo, o particípio presente, o gerundivo e o gerúndio.

2) Tempos do perfectum significam a característica aspectual em que a ação verbal está realizada, acabada. São:  o pretérito perfeito, o pretérito mais-que-perfeito, o futuro perfeito ou anterior; o infinitivo passado ativo.

2ª conjugação: 

audeo, -es, -ere / ausus sum = ousar.

soleo, -es, -ere / solitus sum = costumar.

3ª conjugação:

fido, -is, -ere / fisus sum = confiar. Seus derivados também: confido (confiar-se) e diffido (desconfiar).

Paulo Barbosa

terça-feira, 17 de maio de 2022

SI NON CASTE, SALTIM CAUTE

 "SI NON CASTE, SALTIM CAUTE", SE NÃO COM CASTIDADE, PELO MENOS COM CUIDADO, é uma máxima medieval de origem ignorada que tende a exortar à prudência necessária nos amores furtivos da vida, nas "ficadas" de final de semana, - caso não se contenha nas relações amorosas, que ao menos tenha juízo -, com o sentido propagandístico do uso de preservativos para evitar doenças sexualmente transmissíveis e métodos anticoncepcionais. 

Em português, com um paralelo em espanhol, também se diz: Se não fores casto, sê cauto.


ADENDO. Paronomásia é figura retórica que consiste em colocar em paralelo dois nomes muito semelhantes na forma, mas de sentido diferente, ou seja, é a semelhança que guardam duas palavras de sentido diferente, mas que apenas se diferenciam em alguma vogal ou fonema.

A máxima acima contém tal figura ao contrastar caste / caute, que, aliás, pode-se afirmar, é o que produz fascínio em quem dela toma conhecimento.

Paulo Barbosa

sábado, 14 de maio de 2022

EX OPERE OPERATO

EX OPERE OPERATO / EM CONSEQUÊNCIA DA AÇÃO REALIZADA é uma locução de sentido religioso que reflete a teologia sacramental desenvolvida por Santo Agostinho sobretudo em seus escritos antidonatistas. A expressão quer significar que um sacramento conferido é válido independentemente da condição subjetiva ou moral do ministro, ou seja, a força do sacramento é intrínseca, sua eficácia existe em consequência da ação que foi realizada, não dependendo do estado espiritual do sacerdote.

Entretanto na parte bizantina da igreja há fartos documentos que contradizem esse modo de pensar agostiniano, tal como se pode conferir na Vida de Santo André, o louco (PL. 111,800b) onde recomenda-se ao sacerdote que não se aproxime do altar em estado de pecado, pois assim estaria impedindo a atuação do Espírito Santo e privando os fieis de sua graça.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 13 de maio de 2022

FUNÇÃO EM SINTAXE

 FUNÇÃO é o papel ou atribuição desempenhado pelos constituintes de uma oração. Na sintaxe existem as seguintes funções:

1. dos elementos essenciais, a saber, como sujeito, predicado e complemento;

2. dos elementos acessórios, a saber, como adjunto adnominal e adjunto adverbial.


Etimologia. A palavra função vem do latim functio = execução, exercício de alguma faculdade, cumprimento de um dever, que, por sua vez, vem do verbo fungi = cumprir, desempenhar um ofício, satisfazer, pagar.

Paulo Barbosa