terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CASOS LATINOS I

Ao se começar a estudar latim muito se ouve o nome CASO e sua respectiva definição, "as diversas formas que uma palavra assume de acordo com a função que exerce na oração". Seis são os casos latinos, a saber:

Nominativo é a forma que a palavra assume para dar nome às coisas ou para indicar o sujeito numa oração. A palavra 'sombra' exercendo a função subjetiva (de sujeito) assim fica:

UMBRA est amoena = A SOMBRA é agradável.

Vocativo é a forma que a palavra toma para interpelar ou chamar um objeto ou pessoa a que se dirige. Geralmente a forma vocativa é igual à forma nominativa. Daí, a mesma palavra 'sombra', mas já com outra função numa oração, a de vocativo, assim fica:

UMBRA, ubi es? = SOMBRA, onde estás?

Veja que mesmo havendo identidade de formas em UMBRA, a mesma para o nominativo e vocativo, há a diferença de que a forma vocativa sempre vem entre vírgulas, seja no início, no meio ou no fim da oração, o que a distingue do caso (ou forma) nominativo.

Genitivo é o caso ou a forma que a palavra assume para designar o coisa ou a pessoa a quem um objeto pertence. A mesma palavra UMBRA, nesta acepção, assim fica:

Nigror UMBRAE = o negror DA SOMBRA

Note que, em português, DA SOMBRA é uma locução ou construção possessiva neste caso, ou seja, uma expressão que indica posse, pertença. 

Dativo é a forma que a palavra toma para indicar o objeto ou a pessoa a quem uma ação aproveita ou desaproveita, é útil ou inútil. Assim, UMBRA toma a seguinte forma:

Lucem reddamus UMBRAE = demos luz À SOMBRA

Note que tanto o genitivo quanto o dativo aqui possuem formas iguais. O que diferencia é que o genitivo é, na maioria das vezes, um adjunto nominal (vem sempre junto a um nome, um substantivo), enquanto o dativo é complemento verbal, equivalente, muitas vezes, ao nosso objeto indireto. 

Acusativo é o caso ou forma tomada pela palavra com a finalidade de expressar o objeto de uma ação, o fim a que se mira uma ação. UMBRA exercendo essa finalidade assim fica:

Lux fugat UMBRAM = a luz afugenta A SOMBRA

Aqui, o acusativo é objeto direto do verbo.

Ablativo é a forma que a palavra assume para indicar ou designar a pessoa ou objeto pelo meio da qual a ação verbal é praticada. É o caso de vários adjuntos adverbiais (de modo, tempo, matéria, causa, instrumento) e do complemento de causa eficiente. 

UMBRA veniunt frigora = DA SOMBRA vem o frescor

Aqui, UMBRA é adjunto adverbial de causa, isto é, está associada ao verbo (daí, adverbial) e significa a causa do frescor. É como se disséssemos: A causa do frescor é a sombra.

Os casos nominativo e vocativo são chamados de CASOS RETOS, o que quer dizer que são independentes na oração, que não estão na dependência de outro termo. É daqui que vem os nossos pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles), que exercem a função de sujeito. Estes pronomes são chamados do caso reto, ou seja, são pronomes do caso nominativo, do caso que figura como sujeito numa oração.

Os demais casos - genitivo, dativo, acusativo e ablativo - são chamados de CASOS OBLÍQUOS por serem sempre dependentes de outros termos na oração. O genitivo depende do nome ao qual é adjunto; o dativo e acusativo dependem ou complementam, na maioria das vezes, verbos transitivos; e o ablativo depende do verbo ao qual é adjunto.

O SÉTIMO CASO

Vestígios há em latim da existência de um sétimo caso, o CASO LOCATIVO, de origem indo-européia, que exprime o lugar onde alguma pessoa se encontra ou onde algum evento se realizou ou realiza. Este caso, entretanto, é encontrado nos autores clássicos - Cícero, César - junto a nomes próprios geográficos e a apelativos (nome que convém a todos os seres de uma mesma espécie ou classe).

LOCATIVOS GEOGRÁFICOS:

1. Romae = em Roma  - Romulus Romae regnavit (Rômulo reinou em Roma)

2. Mediolani = em Milão - Paulus Mediolani est (Paulo está em Milão)

3. Carthagini = em Cartago - Domicilium Carthagini habeo (tenho domicílio em Cartago)


LOCATIVOS APELATIVOS:

1. Humi = no chão 

2. Belli = na guerra

3. Domi = em casa

4. Ruri = no campo

As desinências deste caso são de tipo adverbial e nunca chegaram a constituir um sistema ou corpo casual.

Paulo Barbosa



Um comentário:

  1. Muito obrigada!
    Seus "tópicos" têm ajudado muito com meu curso.

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