sábado, 19 de maio de 2012

INFINITIVO PASSIVO ARCAICO: CURIOSIDADE

O INFINITIVO PASSIVO ARCAICO em -IER, como 'nitier', 'citarier', 'compararier', encontrados, por exemplo, em Catulo, foi empregado, segundo o estudioso Lange, 187 vezes por Plauto, 46 por Lucrécio e 6 por Vergílio. Depois da época de Silas (138-78 a.C.), este infinitivo despareceu da língua falada, apenas sendo usado como arcaísmo por alguns autores para dar maior solenidade à obra.

As formas clássicas correspondentes de tais infinitivos são: 'niti', 'citari', 'comparari'.

Paulo Barbosa

quinta-feira, 17 de maio de 2012

'CUM' HISTORICUM

CUM HISTORICUM é aquele que pede o verbo no imperfeito ou mais-que-perfeito do subjuntivo para relatar os acontecimentos concomitantes do fato principal:

CUM Puteolos venissem... (Cic., P. Planc., 27,65) = Chegando eu a Putéolos...

Cecidit Critias CUM quidem fortissime pugnaret (Nep., Thras., 2,7) = Caiu Crítias QUANDO, na verdade, estava combatendo com valor.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 11 de maio de 2012

DIFERENÇA ENTRE 'QUIS' E 'QUI'

QUIS e QUI são dois pronomes interrogativos latinos, mas com a seguinte diferença:

QUIS interroga sobre a identidade da pessoa ou coisa, traduzido por: quem? qual? que pessoa? que coisa?

QUIS VENIT?  = QUEM VEIO? (qual pessoa veio? qual seu nome?)


Veja que quis geralmente é pronome substantivo, ou seja, figura no lugar do nome.


QUI interroga sobre a qualidade, a propriedade da pessoa ou coisa e se traduz por: que espécie? que qualidade?

QUI DISCIPULUS EST? = QUE ESPÉCIE DE ALUNO É ESSE?

QUI VIR EST? = QUE QUALIDADE DE HOMEM É?

Qui geralmente é pronome adjetivo, ou seja, sempre vem ligado a um nome (discipulus, vir).

Paulo Barbosa

PASSIVA IMPESSOAL

Em português, somente os verbos transitivos podem ter voz passiva, como, por exemplo, amo e sou amado. Verbos intransitivos não podem sofrer esta transformação: morrer, no sentido de 'deixar de viver, perder a vida', por exemplo, não tem voz passiva.

Em latim, porém, podem aparecer na voz passiva verbos intransitivos ou verbos transitivos empregados sem complemento ou objeto. É o que se denomina passiva impessoal:

Ire, ir, verbo intransitivo no sentido de 'passar de um lugar para outro', pode aparecer na passiva impessoal: ITUR = VAI-SE. Assim:

SIC ITUR AD ASTRA = ASSIM SE VAI ÀS ESTRELAS, é a famosa expressão de Vergílio (Eneida, 9,641), aludindo à subida típica do herói ao céu, em especial de Hércules. Mais tarde, Sêneca retoma a frase (Ep. 48,11; 73,15), para indicar o árduo caminho da filosofia, mas caminho este que leva à consecução de grandes resultados. Outra vez mais, Prudêncio, autor cristão, em seu Cathemerinon (10,92), retoma a expressão reformulando-a, porém, com cunho cristão evidente: AD ASTRA DOLORIBUS ITUR = VAI-SE ÀS ESTRELAS ATRAVÉS DAS DORES.


Pugnare, combater, lutar, verbo neste sentido usado sem objeto, mas que se pode colocar na passiva:

PUGNATUM EST = LUTOU-SE.


Amare, amar, verbo transitivo que pode ir para a passiva impessoal, aquela que não indica a pessoa que executa a ação:

AMATUR = AMA-SE.

Paulo Barbosa

NOMINATIVO COM INFINITIVO

Muitos verbos que regem oração infinitiva ou acusativo mais infinitivo, quando estão na passiva, constroem-se pessoalmente, ou seja, o sujeito do infinitivo (que está em acusativo) passa a sujeito do verbo passivo. Assim:

DICITUR GALLOS IN ITALIAM TRANSISSE = DIZ-SE QUE OS GAULESES PASSARAM À ITÁLIA

sendo vertido para a passiva, assim fica:

GALLI DICUNTUR IN ITALIAM TRANSISSE

Gallos, acusativo sujeito do infinitivo transisse, passou, na passiva, a sujeito - galli - do verbo passivo - dicuntur.

Paulo Barbosa

GENITIVO QUANTITATIVO

GENITIVO QUANTITATIVO é aquele que determina adjetivos, pronomes e advérbios indicando quantidade ou aspecto mensurável, comparável.

TANTUM CIBI ET POTIONIS = TANTA COMIDA E BEBIDA (literalmente: tanto de comida e de bebida).

NIHIL NOVI = NADA DE NOVO.

PLURIMUM AUDACIAE = O CÚMULO DA AUDÁCIA.

SATIS ELOQUENTIAE = BASTANTE ELOQUÊNCIA (literalmente: bastante de eloquência).

EO VECORDIAE PROCESSIT = CHEGOU A TAL PONTO DE LOUCURA.

Paulo Barbosa

CUJAS, ATIS = DE QUE LUGAR?

SOCRATES CUM ROGARETUR CUJATEM SE ESSE DICERET: MUNDANUM, INQUIT = PERGUNTANDO-SE A SÓCRATES DE QUE PÁTRIA SE DIZIA NATURAL, RESPONDEU: DO MUNDO (Plauto).

O pronome CUJAS, ATIS quer dizer: DE QUE PÁTRIA, DE QUE PAÍS, DE QUE RELIGIÃO, DONDE. Assim, mais dois exemplos:

CUJATES ESTIS? = DONDE SOIS? (Plauto).

CUJATIS ESSE? = DE QUE TERRA ERA ELE? (Átio, poeta trágico romano).

Paulo Barbosa

quinta-feira, 10 de maio de 2012

IDIOTISMO

IDIOTISMO é o fato gramatical peculiar a uma língua e que por isso não pode passar ou ser traduzido para outro idioma. Neste caso, é necessário, no idioma a que se traduz, empregar circunlóquio que expresse com a maior fidelidade possível o pensamento da língua vertida. Entretanto, nesta tentativa não se deve ater à disposição material das palavras.

Vejamos alguns exemplos:

ADQUIRIR FAMA, em latim pode ser CAPERE SIBI NOMEN, que, literalmente, é 'tomar nome para si'.

ALISTAR-SE COMO SOLDADO = DARE NOMEN MILITAE, ('dar o nome à corporação militar').

ESTAR NA FLOR DA IDADE = AETATE FLORERE, ('florescer na idade').

FALTAR À PALAVRA = VIOLARE FIDEM, ('violar a fidelidade, a lealdade').

FAZ MUITO FRIO = SAEVIT FRIGUS, ('o frio está furioso').

FAZER A CAMA = STERNERE LECTUM, ('estender a cama').

FAZER RIR = MOVERE RISUM, ('mover o riso').

PERDER O TEMPO = LATEREM LAVARE, ('lavar tijolo').

VALHA-ME DEUS! = PROH DEUS!, ('oh Deus!').

O melhor meio de enquadrar os idiotismos de uma língua vertida ao latim é a leitura criteriosa e constante dos clássicos, assim como o manejo de bons dicionários.

Paulo Barbosa