terça-feira, 17 de maio de 2011

CULTURA ROMANA I: A INDUMENTÁRIA FEMININA

Dentre várias peças da indumentária feminina romana as mais destacadas são as seguintes:

Túnica

A TUNICA, uma camisa que as mulheres romanas usavam por cima da pele. Por baixo havia como que um porta-seio chamado FASCIA PECTORALIS ou também MAMILLARE, STROPHIUM TAENIA.

Túnica e estola

A STOLA, era uma túnica talar, ou seja, que descia até os pés e com mangas até a metade do braço. Na cintura, ao seu redor, havia um talho e na fímbria - chamada instita -, um bordado.

No início ambos os sexos usavam a toga ou a estola, porém com o passar do tempo, esta última foi reservada somente às mulheres. Passou, então, a ser sinal de impudicícia ou prostituição a mulher aparecer de túnica. 

Ricinium

Para a parte superior, a peça usada era o RICINIUM chamado também REICINIUM. Era uma espécie de véu ou capinha de forma quadrangular e que cobria os ombros e a cabeça. O substituto do ricinium era a PALLA, manto de forma ampla e não restrito somente às matronas, conforme alguns divulgam, pois as estrangeiras e prostitutas também o usavam.

Paulo Barbosa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

AS LOCUÇÕES "A POSTERIORI" E "A PRIORI"



A POSTERIORI é locução latina que significa "PELOS EFEITOS" (que são posteriores) pode-se inferir a existência ou a natureza da causa. Por exemplo, a existência de Deus é provada a posteriori, quer dizer, pelos efeitos, pela existência do mundo, pode-se provar ou chegar à existência de Deus. Ou, as leis do Estado são feitas a posteriori, quer dizer, são resultantes das necessidades da sociedade.

É totalmente errado empregar a locução a posteriori para significar 'feito depois', 'posterior' ou 'posteriormente', como fez um palestrante de um recente Congresso de letras: "Este assunto tratarei a posteriori", ou seja, posteriormente, ou um noticiário que disse: "A posteriori publicaremos mais sobre a matéria".

A PRIORI, por sua vez, significa que "PELAS CAUSAS" (que são prioritárias, que vêm antes) infere-se a natureza dos efeitos. Daí, conclusão a priori significar aquela conclusão chegada sem apoio nos fatos ou conhecimento a priori, aquele que não é baseado na experiência, nos fatos.

Da mesma maneira, é ridículo usar esta locução para significar o advérbio 'antes', 'anteriormente' ou 'feito antes'.

Paulo Barbosa.

AS LOCUÇÕES VERBAIS TER DE / TER QUE E SUAS EQUIVALENTES EM LATIM



A locução verbal TER DE é diferente da TER QUE, apesar de muita gente, e diplomada em faculdade de letras, usar uma pela outra indiscriminadamente. 

TER DE denota ideia de obrigatoriedade, "estar na obrigação de".

TER QUE apenas relata a existência de alguma coisa por fazer, de coisa ainda não feita.

Assim:

"Tenho de estudar latim", isto é, estou obrigado, compelido a estudar latim.

"Tenho ainda um livro que ler", isto é, ainda não li, ou seja, está por ser lido um livro.

A locução TER DE equivale em latim à CONJUGAÇÕES PERIFRÁSTICA PASSIVA.

 
Tenho de ser amado = amandus sum

Tens de ser amado = amandus es

Tem de ser amado = amandus est

A locução TER QUE, por sua vez, equivale em latim a HABERE QUOD ou HABERE QUID, onde quod e quid são pronomes relativos:

Nada tenho que te escrever = nihil habeo quod ad te scribam

Tenho o que fazer = habeo quid faciam

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Na locução TER DE, a palavra necessidade está oculta antes da preposição. Assim:

Tenho (necessidade) de amar. - Tenho (necessidade) de estudar. - Tens (necessidade) de viajar. - Tens (necessidade) de comer. / Tenho (necessidade) de ser amado. - Tens (necessidade) de ser ouvido.

Na locução TER QUE, as palavras algo, nada, alguma coisa, estão ocultas antes ou depois do verbo. Assim:

Tenho o que fazer (= tenho algo que fazer). - Nada tinha que escrever. 

Paulo Barbosa.

domingo, 15 de maio de 2011

O LATIM NO DIA A DIA (I): O SINAL DE PARÁGRAFO


Parágrafo, em direito, é a seção de um artigo de lei, ou seja, é a subdivisão de um artigo na qual se modifica ou exemplifica a disposição principal. O sinal gráfico que indica o parágrafo (§) é puro latim, pois são, na realidade, dois esses sobrepostos, iniciais de signum sectionis, "sinal de seção" ou "sinal de divisão". O parágrafo é uma seção, uma divisão dentro do texto legal. É a divisão de um artigo para explicitá-lo ou modificá-lo, conforme vimos.
Paulo Barbosa.

COMO TRADUZIR OS CASOS?

O NOMINATIVO, caso que exprime o sujeito do verbo nos modos finitos, o predicativo dos verbos de estado, como o verbo ser, por exemplo, e ainda os adjuntos atributivos ao sujeito, é traduzido  com o nome precedido dos artigos o, a , um, uma:

Britannia est insula Europae = A Grã-Bretanha é uma ilha da Europa.

O GENITIVO, caso que exprime os adjuntos restritivos ou especificativos que se ligam aos substantivos ou adjetivos, é traduzido com o nome precedido do artigo e mais a preposição de (do, da, dum, duma):

Experientia est magistra vitae = A experiência é a mestra da vida.

O DATIVO, caso que exprime o objeto indireto, o complemento terminativo, é traduzido com o nome precedido do artigo e mais a preposição a (ao, à, a um, a uma) ou para:

Non scholae sed vitae discimus = Não aprendemos para a escola, mas para a vida.

O ACUSATIVO, caso que exprime o objeto direto, os adjuntos atributivos ao objeto direto, o sujeito dos verbos no modo infinitivo, bem como o adjunto circunstancial regido ou não de preposição, é traduzido com o nome precedido dos artigos o, a, um, uma:

Pueri atque puellae amant dies festos = os meninos e as meninas amam os dias festivos.

O ABLATIVO, caso que exprime a maioria dos adjuntos adverbiais, é traduzido com o nome precedido do artigo e mais uma das seguintes preposições:

     DE (do, da, de um, de uma); 
     EM (no, na, num, numa)
     COM (com o, com a, com um, com uma);
     POR (pelo, pela, por um, por uma);
     

OBS: Caso o ablativo já vier regido em latim de uma preposição, essa será a preposição que deverá ser traduzida, deixando de lado as quatro aqui assinaladas. Se vier sem preposição, deve o tradutor procurar qual das quatro acima convenha melhor ao sentido.

Homo constat ex animo et corpore = O homem consta de alma e corpo.

Aeneas in Italia cum Turno bellavit = Eneias na Itália com Turno combateu.

Leo et elephantus terrentur igne = O leão e o elefante são afugentados pelo fogo.

Est Ciceronis liber de senectute = Existe um livro de Cícero sobre a velhice.

OBS: Note que a preposição de neste último exemplo significa acerca de, sobre, quanto a.

O VOCATIVO, caso que exprime chamamento, interpelação, pode ser traduzido precedido da exclamação ó:

Magne Pompei, clara sunt tua facta = Ó grande Pompeu, ilustres são os teus feitos.

OBS: Este ó que acompanha o vocativo é uma interjeição de apelo ou, conforme alguns, denominado ó de apelo ou apelativo e é facultativo. Não deve ser confundido com o oh!, interjeição indicativa de admiração, alegria, espanto. O tom da frase é diferente conforme seja um apelo, interpelação ou uma admiração.

Paulo Barbosa.

PARA QUE SERVE O LATIM?


É esta uma pergunta frequente que surge até mesmo entre os estudantes da disciplina. Para respondê-la, apontamos de modo genérico, sem descer a profundidades, os principais objetivos do ensino do latim:

1. OBJETIVO HUMANÍSTICO

Uma das principais forças ou energia da língua e da cultura latinas é conduzir o estudioso para o humanismo, ou seja, para aquela formação profunda e perspicaz da inteligência humana mediante a cultura do espírito. Na realidade, a cultura do espírito, ou o espírito cultivado, adquire-se de forma profunda ao se tomar contato tanto com a língua quanto com a produção literária dos grandes autores latinos, e isto faz do latim, tido por muitos como língua morta, imortal e perene. Então, o latim humaniza, quer dizer, torna o homem mais humano, capacitado para utilizar suas potências distintivas - razão e vontade - com mais precisão, e disso, dessa humanização, decorrem efeitos mais propriamente humanos, como o hábito de concentração, as virtudes da paciência, da perseverança, da precisão, da análise e da generalização imparcial. O latim contribui de maneira excepcional para o desenvolvimento do poder de pensar com exatidão e correção, a maior finalidade da educação.

Poderíamos dizer que somente por este objetivo já valeria a pena estudar latim, pois a humanização é a fonte natural que mais efetiva o equilíbrio  do homem, propiciando-o a tornar-se senhor de si. 

2. OBJETIVO LITERÁRIO.

Outra contribuição do latim é permitir que se conheça e saboreie aos que tomam contato com as obras dos escritores clássicos os inestimáveis tesouros encerrados nelas. Podem objetar que a isto também se pode chegar mediante boas traduções. É verdade, não se contesta este fato, porém jamais uma boa tradução, ou até ótima, proporcionaria o sabor de sentir o verdadeiro estilo do autor e nem tampouco permitiria saborear certas sutiliezas perceptíveis somente através da leitura no original. Ao apreciar as qualidades literárias dos autores latinos lidos, os elementos do estilo, estará também o leitor aprimorando o próprio estilo, adquirindo mais vigor e precisão e se capacitando criticamente para considerar e avaliar os próprios prosadores e poetas brasileiros. É, pois, o latim, uma ferramenta que confere capacidade crítica e melhoria na qualidade do gosto e do estilo literário pessoal. 

3. OBJETIVO DISCIPLINAR.

O latim com sua estrutura obriga ao estudante, desde o início, a usar do raciocínio de maneira bastante acentuada. Esta virtude lhe confere o epíteto de "A matemática das línguas". O flexionismo tanto nominal quanto verbal, a colocação das palavras na oração e o próprio léxico latino causam no discípulo a prática de habilidades recomendáveis ao desenvolvimento da inteligência como, por exemplo, a atenção concentrada ou dirigida, a acuidade intelectual e o procedimento metodizado, ordenado. Então, ao disciplinar o homem, humaniza-o. 

4. OBJETIVO PRAGMÁTICO.

É também o latim um facilitador para a compreensão da língua portuguesa, como por exemplo, o conhecimento da grafia das palavras derivadas do latim, uma melhor compreensão dos princípios gerais estruturantes do português, assim como uma melhor habilidade em falar e escrever corretamente.

Enfim, se alguém indagar para que serve o estudo do latim, as respostas imediatas podem ser uma das seguintes:

a) O latim humaniza, isto é, desenvolve qualidades tipicamente humanas como o raciocínio coerente, o pensamento preciso e a sua expressão, o poder de análise e a capacidade de generalizações imparciais.

b) O latim melhora ou aprimora o gosto literário, conferindo espírito crítico junto com a capacidade generalizada para apreciar obras e autores brasileiros e mesmo estrangeiros.

c) O latim proporciona maior capacidade para formulação do raciocínio abstrato.

d) O latim capacita a um maior conhecimento da própria língua portuguesa, dos princípios gerais da gramática, da compreensão do significado de muitas palavras derivadas dele e até de uma melhor habilidade para falar e escrever o vernáculo.

e) O latim propicia maior domínio dos termos técnicos e semitécnicos de origem latina usados em outras disciplinas, como medicina, biologia, direito, etc.

Paulo Barbosa.