sábado, 31 de julho de 2021

NOME ABSTRATO

 NOME ABSTRATO é aquele que designa qualidades e ações abstraídas, separadas dos seres, ou, é o nome que designa coisa que não possui subsistência própria, que só existe na mente humana. 

O substantivo abstrato de qualidade sempre é associado a um adjetivo que expressa a mesma qualidade como atributo de um determinado ser:

tristeza - associado ao adjetivo triste.

bondade - associado ao adjetivo bom.

alegria - associado ao adjetivo alegre.

O substantivo abstrato de ação, por sua vez, se associa a um verbo que expressa a mesma ação por um determinado ser:

julgamento - associado ao verbo julgar.

admiração - associado ao verbo admirar.

consolo - associado ao verbo consolar.

Derivação. Pelo visto, os nomes abstratos são, comumente, vocábulos formados por derivação de um adjetivo, quando expressam qualidades, ou de um verbo, quando expressam ação.

Transposição. Os nomes substantivados abstratos podem ser transpostos para concretos, indicando um ser com a qualidade ou a ação que o abstrato designa:

uma beleza por "uma mulher bela".

um passe por "um bilhete de passagem".

Pluralização. Quando há a transposição o substantivo que era abstrato fica sujeito a se pluralizar, enquanto o abstrato propriamente dito não é sujeito à pluralização:

as belezas da festa.

os passes do trem.

ETIMOLOGIA

Abstrato, em latim abstractus, etimologicamente quer dizer "tirado, separado a partir de seus limites externos", formado pelos elementos latinos:

abs-/ab - que significa separação a partir do limite exterior de algo.

tractus - particípio do verbo trahere, tirar, arrancar, arrastar.

Por isso, uma abstração ou algo abstrato é qualquer coisa que partindo da aparência externa de uma realidade se distancia dela.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 30 de julho de 2021

CÉLEBRE E FAMOSO

 CÉLEBRE E FAMOSO são epítetos usados para designar pessoas conhecidas em grande escala na sociedade, entretanto há diferenças acentuadas entre ambos designativos:

Célebre, do latim "celeber", concorrido, ilustre, designa o homem que possui boa fama, fama bem constituída em toda parte por aqueles que podem julgar do seu mérito. Exemplos de homens célebres por suas produções são os sábios e os literatos.

Famoso, do latim "fama", renome, voz pública - significando "o que todo mundo conhece" -, designa o homem possuidor de fama tanto boa quanto má. Para ser famoso, portanto, basta que um homem faça coisas que provoquem falatório, que adquira grande notoriedade em bom ou em mau sentido. Por isso se diz "ladrão famoso".

Paulo Barbosa

quinta-feira, 29 de julho de 2021

ORAÇÃO SUBJETIVA LATINA

 ORAÇÃO SUBJETIVA LATINA é a oração subordinada substantiva que funciona como sujeito de um verbo. Os verbos latinos mais comuns que têm sujeito oracional são:

decet - convém 

pudet - envergonhar

constat - consta

licet - é lícito 

accidit - acontece 

sufficit - basta

Há três formas em latim para dizer "é necessário", com verbo e expressão verbal que pedem oração subjetiva:

oportet - é necessário. - Aqui a necessidade é imposta pela prudência e pela razão.

necesse est - é necessário. - Aqui a necessidade é imposta pela natureza.

opus est - é necessário. - Aqui a necessidade é imposta para conseguir alguma coisa.

* * *

Adulescentem decet modestum esse - convém ao jovem ser modesto.

Me pudet hoc dicere - envergonho-me de dizer isso.

Constat inter omnes - é coisa certa entre todos.

Licet me id scire - é-me permitido conhecer isso.

Oportet me esse bonum - é necessário que eu seja bom.

Necesse est omnes homines mori - é necessário que todos os homens morram.

Opus est me studere - é necessário que eu estude.

Paulo Barbosa

quarta-feira, 28 de julho de 2021

LEMA OLÍMPICO: CITIUS, ALTIUS, FORTIUS

 CITIUS, ALTIUS, FORTIUS, mais rápido, mais alto, mais forte, é o Lema Olímpico criado pelo padre dominicado Henri Didon, amigo do Barão Pierre de Coubertin (1863-1937), fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna. Esse lema do ideal olímpico é o resumo da postura que um atleta necessita ter para alcançar seu objetivo, é uma mensagem de superação pessoal, de excelência consigo mesmo, um convite do movimento olímpico para que cada atleta supere o próprio desempenho antes de querer superar os outros.

MUDANÇA DO LEMA

O COI, Comitê Olímpico Internacional, entretanto, em abril do corrente ano, através de seu Conselho Executivo, alterou o lema de mais de 120 anos, incluindo a palavra "juntos" para ressaltar a solidariedade , segundo o presidente da entidade, o alemão Thomas Bach:

"A solidariedade alimenta nossa missão de tornar o mundo um lugar melhor por meio do esporte. Só podemos ir mais rápido, só podemos almejar mais alto, só podemos nos tornar mais fortes permanecendo juntos, em solidariedade. Isso é o que a palavra "juntos" significa", disse.

A partir de então o lema olímpico é: Citius, Altius, Fortius - Communiter.

"Communiter", porém, é um advérbio latino que significa "em comum, juntamente". O correto seria acrescentar um adjetivo, tipo "colligatus, conjunctus, junctus", pluralizando-o.

Paulo Barbosa

terça-feira, 27 de julho de 2021

VERBOS IMPESSOAIS LATINOS

 A IMPESSOALIDADE VERBAL é a propriedade do verbo como núcleo de um predicado não se referir a qualquer sujeito.

TEORIA DA LINGUAGEM

Há na teoria da linguagem debates profundos sobre o assunto, de um lado os que não admitem a possibilidade do verbo impessoal, do outro, dos que admitem a possibilidade da ausência de um sujeito como ponto de partida do que se comunica no predicado. No caso dos últimos, o processo, a ação, pode ser concebido em si mesmo, sem referência a um autor. 

IMPESSOAIS LATINOS

Em latim há cinco verbos impessoais usados com frequência por exprimirem sentimentos da alma. São eles:

miseret, miseritum est, miserere - ter compaixão, ter piedade.

paenitet, paenituit, paenitere - arrepender-se.

piget, piguit, pigere - desgostar-se, aborrecer-se.

pudet, puduit, puditum est, pudere - envergonhar-se, ter pudor.

taedet, taedit, taesum est, taedere - entendiar-se.

Paulo Barbosa

segunda-feira, 26 de julho de 2021

ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA PREDICATIVA

 ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA PREDICATIVA é a que funciona como predicativo


Predicativo é o nome que se dá ao complemento do verbo de ligação:

Paulo é sábio.

Não há nenhuma atribuição de atividade em Paulo, mas sim a manifestação de uma qualidade, a qualidade de ser sábio. Vê-se, pois, que o verbo ser é de predicação incompleta - que é Paulo? - e, por isso, requer um complemento, com a diferença de ser este constituído de qualidade. 

Os verbos de ligação mais usuais são: ser, estar, andar, ficar, parecer, etc.


A subordinada predicativa exerce a mesma função de um predicativo constituído por um só nome, porém com a diferença de ser uma oração, um predicativo oracional:

A verdade é que nem todos estudam.

Meu temor é que Patrícia não retorne.

Nosso maior desejo é que todos façam boa viagem.

Sou eu quem executa a música.

O certo é que o Brasil melhorou.

Paulo Barbosa

DE MINIMIS NON CURAT PRAETOR

 DE MINIMIS NON CURAT PRAETOR, o pretor não se ocupa com coisas sem importância. Essa é uma máxima jurídica de autor desconhecido, da Idade Média, para significar que um magistrado deve desprezar casos insignificantes para somente cuidar de questões realmente importantes. Hoje ainda é usada - sobretudo de maneira abreviada: De minimis - para, geralmente, significar que as pessoas não devem apegar-se a mesquinharias. Neste último sentido a exortação é para que o homem se dirija intelectual e volitivamente para o verdadeiro e o bem, transcendentais que o nobilitam e dignificam.


Pretor. O pretor era em Roma a pessoa revestida no cargo de magistrado de justiça similar aos nossos juízes de direito. O termo vem do latim praetor, aquele que vai à frente. Os componentes léxicos são:

o prefixo prae- = diante de, antes de.

o verbo ire = ir, mover-se de um lugar para outro.

o sufixo -tor = indicador de agente, o que faz a ação.

Paulo Barbosa

sábado, 24 de julho de 2021

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, SUAS CAUSAS

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL, ou A Grande Guerra de 1914-1918, teve como causas uma série de fatores históricos que na maioria das vezes são desconhecidos do público ou mesmo sonegados nos livros de História. Vejamos esquematicamente que fatores são esses:

1. RIVALIDADES DAS POTÊNCIAS EUROPEIAS

Já em meado do século XIX começam a organizar-se, na Europa, dois blocos antagônicos de países:

1.º bloco: A Alemanha, a Áustria e a Itália, constituindo a "Tríplice Aliança".

2.º bloco: A França, a Inglaterra e a Rússia, formando a "Tríplice Entente".

Rivalidade política. A estruturação destes dois blocos se deu em princípio por rivalidade política que separava os países, a saber:

a) A França através do Tratado de Frankfurt, de 10 de maio de 1871, perdeu para a Alemanha a Alsácia-Lorena, um território de povo germânico que pertencia ao Sacro Império Romano-Germânico, mas que fora tomado por Luís XIV da França após a Paz Vestfália em 1648. Tal perda se deu pela derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871), o que incitava o desafeto por parte dos franceses, sobretudo ao perceberem que as províncias perdidas estavam sendo germanizadas gradualmente.

b) A Áustria, que reforçara a sua posição na Península Balcânica com a anexação da Bósnia e da Herzegovina, não via com bons olhos o movimento expansionista sérvio, pois prejudicava os seus interesses. A Sérvia tinha apoio da Rússia, que era a favor da política de expansão eslava, formando a opinião pública dos sérvios e auxiliando na criação de sociedades secretas nacionalistas.

c) A Alemanha através da Aliança Germano-Otomana travou boas relações com o Império Turco Otomano (1299-1922) mediante a execução de uma linha férrea do luxuoso Expresso do Oriente de Istambul até Bagdá, capital do Iraque. Esse fato revelador de ambições coloniais começou a preocupar os demais países europeus.

d) A Rússia, desejosa de alargar sua influência, procurava captar as simpatias dos Eslavos do Sul, espalhados pelos Balcãs, como os sérvios, bósnios, montenegrinos, macedônios, croatas. Essa ambição russa também causa alarmes nas potências europeias.


Rivalidade econômica. A rivalidade política estava revestida de caráter muito grave pois a ela se somava uma perigosa rivalidade econômica, sobretudo entre Alemanha e Inglaterra.

A prosperidade da Inglaterra depende fundamentalmente da indústria e do comércio, pois seus recursos agrícolas são insignificantes, não bastando para alimentar nem a terça parte dos seus habitantes. Devido a isso, restou para o país o desenvolvimento ao máximo das indústrias - Revolução Industrial -, a importação de matérias-primas necessárias para o trabalho e a exportação para o mundo de seus produtos. Com o rendimento destes, compra os gêneros alimentícios para sustentar a população. Entretanto, para que tal sistema se mantenha, se faz necessário dispor de centros fornecedores de matérias-primas e ter um mercado bastante vasto.

A Alemanha, tendo se organizado em Império Alemão em 1871, começou a prejudicar grandemente o sistema econômico inglês, criando uma indústria gigantesca que, graças à afluência de capitais consideráveis e a colaboração de um operariado especializado, hábil e disciplinado, formou empresas altamente de ponta e começou a comercializar com o mundo os seus produtos. Os produtos germânicos conquistaram os melhores mercados, impuseram-se devido ao baixo preço, penetraram até mesmo na Inglaterra onde houve uma concorrência esmagadora com os produtos britânicos. Em seguida começaram a se alastrar pelas colônias inglesas, chegando às Índias Orientais, Austrália e África, levados pelos colonos e comerciantes germânicos.

A Inglaterra, por sua vez, sente a mesma necessidade angustiosa. Ambos os países se percebem presos ao mesmo dilema, ambos concluem que a sua subsistência depende da indústria, dada a importância das respectivas populações fabris e a escassez de recursos agrícolas.

Nestas condições, o conflito agrava-se a cada dia, os dois blocos antagônicos preparam-se para a luta que sentem ser inevitável. Um dos rivais tem de ceder pelas forças das armas, era o pensamento da época. Não há remédio, concluem todos, enquanto os alemães afirmam pela boca do General Graf von Moltke: "A guerra é um dos meios de que se serve Deus para o progresso".

Revolta nos Balcãs. Na península balcânica novas revoltas nacionalistas se instalaram  entre 1912 e 1913. Sérvia, Grécia, Bulgária, Montenegro e Romênia, os mais militarizados e economicamente ativos países, se juntaram na Liga Balcânica para derrotar o Império Otomano e, por conseguinte, também o domínio do Império Austro-Húngaro e da Alemanha. Essa inconfidência dos Eslavos do Sul levou tanto a Alemanha quanto a Áustria se armarem mais intensamente, convencidos de que, cedo ou tarde, o agravamento da questão balcânica poderia dar origem a um conflito europeu.

A Rússia, por sua vez, como já visto, favorável ao pan-germanismo ou à expansão eslava, formava as mentalidades para uma revolução na região, ajudava na montagem de centros nacionalistas e sustentava a agitação na Bósnia e na Herzegovina. Estava, assim, preparado o clima para o assassinato do Arquiduque herdeiro da Áustria em Sarajevo. 

2. O ATENTADO DE SARAJEVO

Os ânimos cada vez mais exaltados, a mentalidade revolucionária difundida pela Rússia entre sérvios e bósnios, culminou, no dia 28 de junho de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia, nos assassinatos do Arquiduque herdeiro do trono da Áustria Francisco Ferdinando e de sua esposa, a condessa Sofia Chotek. O atentado foi perpetrado a mando de uma sociedade secreta da Sérvia, denominada Mão Negra, por Gavrilo Princip com outros oficiais sérvios comunistas partidários do pan-eslavismo. A Áustria, por sua vez, aproveitou a ocasião para eliminar a Sérvia como fator político dos Balcãs e evitar que aquele país se transformasse em centro do movimento eslavista que ameaçava subverter a monarquia austro-húngara. Enviou, então, à Sérvia, uma nota exigindo que todas as sociedades secretas nacionalistas fossem dissolvidas, que os indivíduos membros delas fossem expulsos do exército e dos quadros administrativos e que se abrisse um inquérito judiciário para se apurar as responsabilidades do atentado com a colaboração de funcionários austro-húngaros.

A Sérvia respondeu conformando-se com todas as exigências austríacas, exceto a que dizia respeito à colaboração das autoridades estrangeiras nas investigações. 

A Rússia, desejosa de evitar o aniquilamento da Sérvia e o consequente predomínio austríaco nos Balcãs, começou, em 26 de julho de 1914, uma mobilização parcial de suas forças para intimidar a Áustria-Hungria, decretando, quatro dias após, a mobilização geral de seus homens.

A Alemanha tomando conhecimento de tais fatos envia um ultimato à Rússia para que cessasse com a mobilização de seus exércitos no prazo de 12 horas, e outro ultimado à França para que resolvesse de que lado ficar em caso de guerra com a Rússia.

A Inglaterra tentou evitar o conflito, mas nada conseguiu. 

No dia 1 de agosto de 1914, a Alemanha declarou a guerra à Rússia.

No dia 3 de agosto, a Alemanha declarou guerra à França e à Bélgica e invadiu a Rússia

Assim se inicia a Primeira Guerra Mundial, também conhecida como a Guerra das Guerras.

Paulo Barbosa