quinta-feira, 24 de junho de 2021

O DISCURSO POÉTICO

 O DISCURSO POÉTICO é um dos 5 tipos de discursos ou de maneiras de expressar e comunicar aos semelhantes o pensamento. Os demais tipos são: o lógico, o retórico, o dialético e o tópico. Essa divisão dos discursos encontra-se no "Organon", conjunto de obras lógicas de Aristóteles. 

O discurso poético trabalha com a possibilidade, com a ficção, sendo a mais flexível espécie de comunicação humana por não estar obrigada pela necessidade de traduzir a realidade tal qual é. Sua finalidade é estética e recursos literários vários com jogos de palavras são usados para alcançá-la. Objetiva-se criar no receptor com esse tipo de discurso empatia através da qual se sentirá identificado com aquilo que se está comunicando. A maior ênfase é colocada na forma mais que no conteúdo com a utilização frequente do uso de metáforas. 

O discurso poético, enfim, suscita imagens e fatos que dramatizam a realidade fazendo, assim, o público despertar o senso estético, de beleza, e reagir à comunicação discursiva proposta.

Exemplos de discursos poéticos são poemas, jograis, canções populares, etc.

Paulo Barbosa

AUT, VEL, CONJUNÇÕES ALTERNATIVAS DIFERENCIADAS

 AUT e VEL são conjunções latinas alternativas (ou), ou seja, que proporcionam escolher a uma de duas possibilidades apresentadas Entretanto, há as seguintes diferenças:

Aut (ou) geralmente é usada para separar ou distinguir duas palavras, ideias, objetos ou orações que são incompatíveis:

Aut esse aut non esse - ou ser ou não ser.

Verum aut falsum - verdadeiro ou falso.

Vel (ou) separa ou distingue palavras ou orações que não são incompatíveis entre si:

Vel imperatore vel milite me utimini - servi-vos de mim ou como general ou como soldado.

Matri vel novercae = à mãe ou à madrasta.

Além de vel, outras que exercem a mesma função são: sive e seu.

Paulo Barbosa

quarta-feira, 23 de junho de 2021

ALMA, CONCEPÇÕES NA ANTIGUIDADE

 A ALMA na Antiguidade, ou melhor expressando, na Filosofia Antiga, era definida basicamente de 3 maneiras diversas, existindo, pois, três concepções que perduraram na História das ideias filosóficas.

1. Concepção Mecanicista. Segundo tal concepção a vida e o desenvolvimento dos seres vivos não necessitam de uma alma, pois, o ser vivo não passa de um composto apenas de elementos materiais - materialismo - que se movimentam e interagem por relações de causalidades necessárias, automáticas e previsíveis.. Empédocles (492-432 a.C.), filósofo, poeta e médico da Sicília, advogava este conceito mecanicista de vida, explicando, por exemplo, que nas plantas suas raízes descem pelo elemento terra que tende para baixo, e a planta cresceria através do elemento fogo que tende para cima. 

2. Concepção Dualista. É a elaborada por Platão (427-347 a.C.), onde a alma é espiritual, porém um mero motor externo que concede vida ao corpo. A alma e o corpo são duas unidades autônomas, cada qual uma substância individual, tais como o motorista e o automóvel. Segundo a mesma teoria, a alma preexiste num mundo das Ideias, vindo habitar - encarcerar-se - num corpo no mundo terreno.

3. Concepção Animista. É a defendida e ensinada por Aristóteles (384-322 a.C.), em que a alma é a forma do corpo nos seres que possuem vida, é aquilo por meio do qual o corpo se move, vive e pensa. 

Paulo Barbosa

PARECER, UM VERBO CURIOSO

 PARECER é um verbo que possui as seguintes particularidades: pode ser empregado como verbo de ligação e como verbo intransitivo. Vejamos:

Os professores parecem estar felizes.

Aqui o verbo é de ligação significando 'ter a aparência de' e, portanto, 'estar felizes' é predicativo. 

Os professores parece estarem felizes.

O verbo parece aqui está empregado intransitivamente, ou seja, com sentido completo, significando 'dar a impressão de', e 'estarem felizes' é o seu sujeito.

Parece estarem os professores felizes - estarem os professores felizes parece.

'Estarem os professores felizes' é oração subordinada substantiva subjetiva - que exerce a função de sujeito - com relação ao verbo parece, que é seu predicado.

Pode-se também construir a mesma subordinada subjetiva assim:

Parece que os professores estão felizes -  que os professores estão felizes parece.

Paulo Barbosa

ANALOGIA VOCABULAR FUNCIONAL

 ANALOGIA VOCABULAR FUNCIONAL é a relação de semelhança existente entre as classes de palavras de uma língua segundo a função ou desempenho na oração.

Tal conjunto de palavras considerado quanto à função pode ser distribuído em três grupos:

1. Palavras nominativas - aquelas que têm por função dar nomes aos seres. Nominativo, em latim, é o nome do caso do sujeito, do predicativo, do atributo e do aposto do sujeito. São do grupo das palavras nominativas o substantivo e o pronome. Exemplos:

Maria viajou. 

Ela voltará em breve.

2. Palavras modificativas - aquelas que têm por função modificar outras palavras, ou seja, alterar uma palavra manifestando-lhe uma qualidade. São deste grupo o adjetivo, o verbo e o advérbio. Exemplos:

O amigo fiel conhece-se na adversidade.

João ensina, Pedro aprende.

José discursa bem.

3. Palavras conectivas - aquelas que têm por função conectar, relacionar, ligar outras palavras entre si. São deste grupo a preposição, a conjunção, o pronome relativo, o advérbio relativo e o verbo de ligação. Exemplos:

Padaria de Pedro.

Gabriel viajou, mas não voltou.

O professor que nos ensinou aposentou.

Eu estudei onde tu estudaste. 

Marta é estudiosa.

Paulo Barbosa

terça-feira, 22 de junho de 2021

LITERATURA, ARTE DE EXPRESSAR O BELO - 02

 A LITERATURA sendo o veículo de manifestação do belo através da palavra escrita ou falada deve, para cumprir seu fim - expressar o belo - obedecer alguns requisitos. Concorrem, portanto, para a manifestação da beleza na arte literária os seguintes elementos:

1. As frases ou orações devem ser medianas, ou seja, o escritor ou orador não deve produzir grandes e intricados períodos como faziam os clássicos nem se resumir a frases curtas e enfadonhas como é do feitio dos modernistas. Hipotaxe e parataxe devem se equilibrar. 

2. O emprego de palavras apropriadas, precisas. A expressão literária exige precisão, palavras precisas, que indicam o que é necessário em uma coisa prescindindo de todo supérfluo. Precisão vocabular é uma operação intelectual que consiste em considerar um objeto em si mesmo, sem considerar o que a ele está unido ou o que com ele está relacionado. Ser preciso, portanto, é cortar tudo o que é estranho ao assunto de que se trata, é saber escolher o termo que melhor determina o objeto, o circunscreve, o corta e o separa de outros com que poderia se confundir.

3. O uso da simplicidade, a saber, a fuga do preciosismo, vício de linguagem que obscurece e dificulta a manifestação do pensamento pelo emprego de palavras, construções e expressões arcaicas ou esquisitas, inusitadas. A expressão literária deve ser simples no sentido de não haver pretensão ao complicado, ao complexo, ao requinte, à pompa e sofisticação. O literato deve se expressar com ausência de dificuldade para seu público, tornando, assim, fácil a comunicação. Deve-se ser simples sem ser simplista.

4. O emprego de palavras elevadas também denominado a fuga da trivialidade. O literato, o orador, o preletor em sua produção não deve empregar pensamentos e palavras triviais, aqueles que são comuns e fazem parte do repertório dos homens ignorantes, das classes desprovidas intelectualmente. Trivial é tudo o que é reproduzido 'ad nauseam' por indivíduos ignorantes, ideológicos, sectários e defensores de causas deletérias do bem, da verdade e da beleza a ponto de enfastiar, incomodar, aborrecer pela força da repetição. Exemplos de trivialidades em nossos dias temos aos montes tais como os termos 'fascista', 'nazista', 'genocida' usados pela chusma sem ao menos saber a etimologia quanto mais o sentido conceitual próprio de cada palavra.

5. O uso variado das figuras sintáticas que trazem expressividade ao período mediante a sua modificação graciosa, a interferência na sua estrutura. Esse recurso evita a repetição dos mesmos termos, dos mesmos circunlóquios, e isso dá sabor e colorido ao texto ou discurso. Daí a necessidade de estudar e ler bons escritores de nossa língua para alimentar a produção do belo através da palavra, ou seja, para produzir literatura.

As figuras sintáticas ou de construção são: Elipse, Zeugma, Hipérbato, Silepse, Assíndeto, Polissíndeto, Anáfora, Anacoluto e Pleonasmo.

Paulo Barbosa.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

LITERATURA, ARTE DE EXPRESSAR O BELO - 01

 LITERATURA em sentido estrito é a arte de expressar o belo por meio da palavra escrita ou falada. É sinônimo de arte literária. Mas o que é o belo?

O BELO

Belo, como ensina a filosofia, é tudo aquilo que ao ser conhecido e contemplado agrada tanto pelo esplendor de sua grandeza quanto de sua ordem. 

Para que haja o belo, algumas notas ou qualidades essenciais devem se fazer presentes:

1. Integridade, pois um ser ao qual falta uma de suas partes constitutivas ou uma de suas perfeições é disforme, carecendo, portanto, da inteireza que necessita o belo.

2. Harmonia, ou seja, o ser para possuir beleza deve ser proporcional em suas partes e entre elas com o todo, não podendo agradar o que é desproporcional e assimétrico. Um rosto humano pode possuir um nariz em si bastante perfeito, porém, se for desproporcional com as demais partes não é belo.

3. Claridade, por exigir o belo a existência de cores harmoniosamente distribuídas numa suficiente luz.

domingo, 20 de junho de 2021

ELIPSE VERBAL EM LOCUÇÕES PROVERBIAIS LATINAS

 Na língua latina é costume em provérbios, ditados, locuções proverbiais, a omissão do verbo. Isso é um caso de elipse, ou seja, figura através da qual se omite alguma palavra ou oração que com facilidade pode ser compreendida. Vamos aos exemplos:

Quid mirum? - que há para se admirar?

Minima de malis - dos males deve-se escolher o menor.

Summum ius summa iniuria - a justiça muito rigorosa chega a ser injustiça.

Fortuna fortes - a sorte ajuda os fortes.

Inde irae et lacrimae - daí nasceram as iras e as lágrimas.

Sed de hoc alias - mas disso falaremos outras vezes.

O QUE É FIGURA?

A elipse é denominada figura. Em sintaxe, figura é o modo de dizer ou de expressar que se afasta das regras e propriedades da língua, de sua simplicidade, muitas vezes até contrariando as normas sintáticas. Entretanto, se empregada a figura com moderação e bom gosto pode conceder variedade, colorido e vivacidade ao estilo.

Paulo Barbosa