segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ORAÇÃO SUBSTANTIVA PRECEDIDA DE "UT" E "NE" COM "VERBA TIMENDI"

A oração subordinada substantiva onde ocorre verbo que significa 'temer' - verba timendi - tais como timeo, pertimesco, paveo, horreovereormetus est, periculum est, é traduzida com o modo subjuntivo precedida de UT e NE:

UT - quando se teme que a ação não se realize, ou seja, em português a subordinada é geralmente negativa. A conjunção integrante UT neste caso significa QUE NÃO, com sentido negativo e, além dela, pode ser usada NE NON equivalendo a ne nullus.

NE - quando se teme que a ação se realize, ou seja, em português a subordinada é geralmente afirmativa. A conjunção integrante NE neste caso significa QUE, possuindo sentido afirmativo.


Vereor UT Dolabella ipse satis nobis prodesse possit = temo QUE o próprio Dolabela NÃO possa ajudar-nos suficientemente.

Omnes labores te excipere video; timeo UT sustineas = vejo que tu te incumbes de todos os trabalhos; temo QUE NÃO suportes.


Haud sane periculum est NE NON mortem aut optandum aut certe non timendum putet = havia muitas possibilidades de QUE se ele NÃO considera a morte como desejada, pelo menos não a teme.

Labienus, veritus NE hostium impetum sustinere NON posset, litteras Caesari remittit = Labieno, receando NÃO poder aguentar o ataque dos inimigos, manda uma carta a César = Labieno, receando QUE NÃO pudesse aguentar o ataque dos inimigos, manda uma carta a César.


Sed metuo NE sero veniam = mas eu tenho medo de chegar tarde. 

Note a oração: mas eu tenho medo de QUE eu chegue tarde.

Caesar NE Divitiaci animum offenderet verebatur = César tinha medo de magoar o ânimo de Divicíaco.

Note a oração: César tinha medo de QUE (ele) magoasse o ânimo de Divicíaco.

Paulo Barbosa

domingo, 14 de janeiro de 2018

ATRAÇÃO MODAL NA ORAÇÃO SUBORDINADA

A ATRAÇÃO MODAL, alteração morfológica que o verbo sofre no modo, além de aplicada na oração adjetiva, também pode se dar em todas as orações subordinadas traduzidas com o indicativo, a saber, as substantivas, as causais, as concessivas, as comparativas, as temporais assim como após sive... sive... e quicumque.

Na atração modal o verbo da oração subordinada é alterado para o modo subjuntivo com mais frequência que no indicativo.

Cato mirari se dicebat quod non rideret haruspex haruspicem cum vidisset = Catão dizia estranhar que um adivinho não risse, todas as vezes que via outro.

Isto bono utare, dum adsit = serve-te bem deste, enquanto existe.

Ubicumque terrarum violatum ius civium sit, statuitis id pertinere ad communem causam libertatis = sabeis haver um atentado contra a liberdade, onde quer que tenha sido conculcado o direito dos cidadãos. 

Quantas calamitates, quocumque ventum sit, nostri exercitus adferant, quis ignorat? = quem é que não sabe quão grandes sofrimentos tenham que suportar os nossos exércitos, aonde quer que se tenha chegado?

Paulo Barbosa

sábado, 13 de janeiro de 2018

ORAÇÃO ADJETIVA CONSECUTIVA DEPENDENTE DE ADJETIVOS

A oração consecutiva é aquela que desempenha a função de expressar um efeito ou uma consequência proveniente da ideia expressa na oração subordinante ou principal. Uma oração consecutiva adverbial pode modificar:

a) um grupo substantival: comeu tantos pastéis, que ficou com indigestão.

b) um grupo adjetival: está tão quente, que até arde.

c) um grupo adverbial: correu tanto, que cansou.

d) um grupo preposicional: cantou de tal maneira, que foi elogiada.

e) um grupo verbal: fala, que se desfalece. (Note que aqui está implícito a expressão de intensidade tanto: fala tanto, que se desfalece).

Em latim, não somente há consecutivas adverbiais, mas é possível também que dos adjetivos dignus, indignus, aptus e idoneus possa depender oração adjetiva consecutiva traduzida com UT ou QUI, QUAE, QUOD com o verbo no modo subjuntivo e sem os conectores de intensidade tam, tantus.

Dignus QUI imperet = digno de mandar

Iine indigni erant QUI impetrarent? = eram eles porventura indignos de obter?

Nulla videbatur aptior persona QUAE de senectute loqueretur = nenhuma personagem parecia mais digna de falar sobre a velhice.

Tibi fortasse idoneus fuit nemo QUEM imitarere = talvez não tenha havido ninguém digno de imitares.

Paulo Barbosa

ORAÇÃO ADJETIVA NO SUBJUNTIVO

A ORAÇÃO ADJETIVA LATINA emprega o verbo no modo subjuntivo nas seguintes condições:

1ª. Quando encerram alguma ideia final, causal, consecutiva, concessiva, condicional, etc.

2ª. Quando mediante espécie de parêntese limita o conceito expresso pela oração subordinante sendo, neste caso, o pronome relativo geralmente acompanhado pelas partículas quidem (ao menos, pelo menos) ou modo (somente, apenas).

3ª. Após as seguintes expressões: est qui, sunt qui, non desunt qui, existunt qui, inveniuntur qui, reperiuntur qui, nihil est quod, quis est qui?, quid est quod?, est ubi (há um lugar no qual), est quatenus (há um ponto até o qual), habeo quod e similares.

4ª. Quando se quer manifestar que a ação é indeterminada ou somente possível.


1ª CONDIÇÃO

Caesar premittit milites QUI videant, quas in partes hostes iter faciant = César manda na frente soldados QUE vejam em que direção marchem os inimigos. (Oração adjetiva final onde o QUI equivale a UT e tem a acepção de PARA QUE).

Maluimus iter facere pedibus QUI incommodissime navigavissemus = preferimos viajar a pé, POIS tínhamos navegado muito mal. (Oração adjetiva causal onde o QUI está em lugar do QUOD causal).

Est innocentia affectio talis animi QUAE noceat nemini = a inocência é tal disposição da alma QUE não prejudica a ninguém. (Oração adjetiva consecutiva onde o QUI equivale ao UT consecutivo. A conjunção consecutiva que sempre está em correlação com tão, tal, tanto, tamanho)

Hi miserrimo exercitu Caesaris luxuriem obiciebant CUI semper omnia ad necessarium usum defuissent = acusavam de viver no luxo ao paupérrimo exército de César AO QUAL tinham faltado até as coisas necessárias. (Oração adjetiva concessiva onde o CUI está em lugar de QUAMVIS EI com o sentido de AINDA QUECui é o pronome relativo no dativo singular para os três gêneros).

Haec et innumerabilia ex eodem genere QUI videat, nonne cogatur confiteri deos esse = QUEM visse estas e outras coisas maravilhosas do mesmo gênero, não seria obrigado a admitir que os deuses existem? (Oração adjetiva condicional onde o QUI equivale a SI QUIS = SE ALGUÉM).

2ª CONDIÇÃO

Ex oratoribus Atticis, QUORUM QUIDEM scripta constet, Pericles atque Alcibiades antiquissimi sunt = dos oradores áticos, DAQUELES AO MENOS dos quais restam obras escritas, Péricles e Alcibíades foram os mais antigos.

Oração adjetiva 'limitativa' onde o pronome relativo está acompanhado da partícula QUIDEM que aqui possui valor restritivo com o sentido de ao menos, pelo menos, por exemplo. Quorum é o pronome relativo no genitivo plural. 

Deve-se notar que tal tipo de oração adjetiva 'restritiva' pode ser encontrada também com o verbo no modo indicativo:

Ceteri Graeci Latinique scriptores, QUORUM QUIDEM ego legi annales, nihil memorabile a Villio actum tradunt = os outros escritores gregos e latinos, AQUELES PELO MENOS cujos anais pude ler, dizem que Vílio não fez nada de memorável.


3ª CONDIÇÃO

Quid est QUOD te delectare possit? = que há QUE te possa agradar?

Reperti sunt duo equites Romani QUI te ista cura liberarent = acharam-se dois cavaleiros romanos QUE te deviam livrar dessa preocupação.

Est QUATENUS amicitiae venia dari possit = há um ponto ATÉ O QUAL é lícito ceder à amizade.

4ª CONDIÇÃO

Cui tu adulescentulo, QUEM corruptelarum illecebris irretisses, non ad audaciam ferrum praetulisti? = a que jovem, QUE tu tivesses seduzido com atrativos de corrupção, não levaste na frente a espada para a ousadia?

Note que na adjetiva há indeterminação ou possibilidade aportadas pelo verbo irretisses = tivesses enredado ou podido enredar.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ORAÇÃO RELATIVA PRECEDIDA DE 'QUIN'

O ''quin" pode funcionar como pronome relativo quando substitui "qui non, quae non" e "quod non" após expressões tais como nemo est, nullus est, nihil est assim como após as interrogações iniciadas com quis est? e quid est?

Nemo est tam fortis QUIN rei novitate perturbetur = não há ninguém tão forte QUE NÃO não se perturbe com a novidade do acontecimento.

Em lugar deNemo est tam fortis QUI NON rei novitate perturbetur.

Nihil est QUIN male narrando possit depravarier = não há nenhuma coisa QUE, mal contada, NÃO possa ser mal entendida.

Em lugar de: Nihil est QUOD NON male narrando possit depravarier.

Nulla fuit Thessaliae civitas QUIN Caesari pareret = não houve cidade na Tessália QUE NÃO obedecesse a César.

Em lugar de: Nulla fuit Thessaliae civitas QUAE NON Caesari pareret.

Nihil est QUIN intereat = nada há QUE NÃO pereça.

Em lugar de: Nihil est QUOD NON intereat.

Nego nullam picturam fuisse QUIN inspexerit = digo QUE NÃO houve quadro que ele não tenha examinado.

Em lugar de: Nego nullam picturam fuisse QUAM NON inspexerit.

Paulo Barbosa

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

ORAÇÃO ADJETIVA NO INDICATIVO

A ORAÇÃO ADJETIVA é traduzida com o verbo no modo indicativo nas seguintes situações:

1) quando não encerra nenhuma ideia de fim, de causa, de condição, de consequência, de concessão, etc.
2) quando explica ou substitui um nome.

3) para traduzir certos tipos oracionais.


Caesar Helvetios in fines suos, UNDE erant profecti, reverti iussit = César mandou os helvécios voltarem para as suas terras, DAS QUAIS tinham saído.`

Note que a oração adjetiva não encerra nenhuma ideia vista acima.

QUAE homines arant = os campos (as coisas que os homens aram).

QUAE terra gignit = os produtos da terra (que a terra gera).

Note nestas orações a substituição dos nomes 'campos' e 'produtos da terra' pelos pronomes relativos.


"Prudentes como sois" é traduzido assim: QUAE vestra prudentia est.

Paulo Barbosa

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

NOMINATIVO NOS TÍTULOS, ENUMERAÇÕES E DESCRIÇÕES

O NOMINATIVO sempre é apresentado como o caso do sujeito, do aposto do sujeito e do predicativo que se refere ao sujeito, porém, antes mesmo de exercer tais funções em uma oração, o nominativo designa de modo geral a pessoa ou a coisa de que a oração trata, não se restringindo, todavia, o seu emprego apenas a indicar o sujeito oracional ou as demais funções vistas acima.

O nominativo, então, primariamente é empregado para nomear o substantivo simplesmente citado como uma palavra, haja vista ser sob a forma do nominativo que o nome fora da oração se apresenta ao espírito, como por exemplo, nos títulos de obras, nas enumerações, etc. Além disso, o nominativo é usado também nas descrições animadas que indicam as características de uma situação ou os traços de um caráter.

NOMINATIVO NOS TÍTULOS E ENUMERAÇÕES

Orator (Cícero) = "O Orador".

Brutus (Cícero) = "Bruto".

Bellum Iugurthinum (Salústio) = "A Guerra de Jugurta".

Commentarii de Bello Gallico (César) = "Comentários da Guerra da Gália".

Clamor senatus, querellae, preces, socer ad pedes abiectus (Cícero, Sest., 74) = "O clamor do senado, as lamentações, as súplicas, o sogro lançado a seus pés".


NOMINATIVO NAS DESCRIÇÕES

Magna celeriter commutatio rerum (César, B.C. 1,60,4) = "Grande mudança da situação".

Crudelis ubique luctus, ubique pavor et plurima mortis imago (Vergílio, En. 2,368-9) = "Por toda parte a dor cruel, por toda parte o pavor e a imagem múltipla da morte".

Paulo Barbosa