quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

SINTAXE DAS ORAÇÕES ADVERBIAIS

ORAÇÃO ADVERBIAL é aquela que exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. É dividida em: final, consecutiva, causal, concessiva, comparativa, temporal e condicional. Veremos aqui as seis primeiras, deixando para um próximo Tópico a condicional por sua complexidade.


Finais: são constituídas por verbo no subjuntivo presente ou imperfeito com NE se forem negativa e com UT ou UTI se forem positivas. É raro, mas se encontra o UT NE em lugar do NE. Também em lugar o UT pode-se encontrar o QUO, sobretudo se na oração final houver um comparativo.

"Nolo esse laudator, ne videar adulator." - "Não quero ser louvador para não parecer adulador." (Cícero, Ad Herennium 4,21,29).

"Hoc totum omitto ut ne offendam tuas patientissimas aures." - "Tudo isso eu omito para não cansar teus pacientíssimos ouvidos." (Cícero, Pro Roscio Amerino 2,5).

"Legum servi sumus, ut liberi esse possimus." - "Somos escravos das leis para podermos ser livres." (Cícero, Pro Cluentio 53,146).

"Quo facilius intellegi possit." - "Para que se possa entender mais facilmente." (Nepos, Vitae 1,6,1).

"Ariovistus ad Caesarem legatos mittit, uti diem colloquio constitueret." - "Ariovisto manda embaixadores a César a fim de que marque um dia para o encontro." (César, B.G. 1,47,1).


Consecutivas: indicando o resultado de alguma ação e dependendo de uma oração subordinante, as consecutivas geralmente são constituídas com as expressões TANTO, TAL, ASSIM, etc. No latim se usa o verbo no subjuntivo com UT NON se forem negativas (ou UT NEMO, UT NULLUS, UT NIHIL, etc.) e UT, se forem positivas.

"Epaminondas fuit etiam disertus, ut nemo ei Thebanus par esset eloquentia." - "Epaminondas foi também eloquente, a tal ponto que nenhum tebano lhe era igual na eloquência." (Nepos, Vitae 15,5,1).

"Quis est tam demens ut sua voluntate maereat." - "Quem é tão louco de se afligir voluntariamente?" (Cícero, Tusculanae disputationes 3,29,71).

"Verres Siciliam ita vexavit ut ea restitui in antiquum statum nullo modo possit." - "Verres tanto maltratou a Sicília, que agora não pode ser recuperada." (Cícero, Verrinas 1,4,12).


Causais: estas quando empregam QUOD, EO QUOD, IDEO QUOD, PROPTEREA QUOD, QUIA, QUANDO, QUANDOQUIDEM, QUONIAM, usam o verbo no modo indicativo, podendo, entretanto, raramente, encontrá-lo no subjuntivo; porém, quando a causa que se menciona representa não a convicção do autor da oração, mas de outra pessoa, usa-se o QUOD com subjuntivo. O infinitivo também poderá aparecer nas causais.

"Sit beneficium, quandoquidem maius accipi a latrone nullum potuit." - "(Admitamos que isto) seja um benefício, visto que de um ladrão não se pode receber (benefício) maior". (Cícero, Orationes Philippicae 2,3,6).

"Obsideamus Lacedaemonem, quando ita placet." - "Sitiemos Esparta, pois assim nos agrada." (Lívio, AUC Libri 34,34).

"Inferiores non dolere debent se a suis amicis superari." - "Os inferiores não devem entristecer-se por serem superados por seus amigos." (Cícero, De Amicitia 20,71).

"Gaudeo quod te interpellavi." - "Alegro-me por ter-te interrogado." (Cícero, De Legibus 3,1,1).

"Caesar questus est quod bellum intulissent." - "César queixou-se por lhe terem declarado guerra." (César, B.G. 4,27,5).

"Id dolemus quod eo iam frui non licet." - "Entristecemo-nos porque já não podemos gozar de sua presença." (Cícero, Brutus 1,5).

"Aristides nonne pulsus est patria, quod praeter modum iustus esset." - "Não foi Aristides exilado, porque era excessivamente justo?" (Cícero, Tusculanae 5,36,105).

"Pugiles ingemiscunt, non quod doleant, sed quia corpus intenditur." - "Os atletas gemem, não porque sofram, mas porque o seu corpo se distende." (Cícero, Tusculanae 2,23,56).


Concessivas: são constituídas com TAMETSI ou TAMENETSI, ETSI, QUAMQUAM mais o verbo no indicativo, podendo, raramente, aparecer no subjuntivo; com QUAMVIS, ETIAMSI ou ETIAM SI, UT, CUM, LICET, DUM, DUMMODO ou DUM MODO, MODO, mais o subjuntivo.

"Tametsi a fortuna deserebantur, tamen omnem spem in virtute ponebant." - "Embora (os nossos soldados) fossem abandonados pela sorte, todavia punham toda a esperança no valor." (César, B.G. 5,34,2).

"Quamquam excellebat Aristides abstinentia, tamen exsilio decem annorum multatus est." - "Embora Aristides sobressaísse por seu desinteresse, contudo foi condenado a um desterro de dez anos."

"Etsi nihil aliud Sullae nisi consulatum abstulissetis." - "Ainda que tivésseis arrebatado a Sila nada mais do que o consulado." (Cícero, Pro Sulla 32,90).

"Quamvis patrem suum numquam viderat". - "Embora nunca tivesse visto a seu pai". (Cícero, Pro Rabirio Postumo 2,4).

"Id assequi non potuisset, etiamsi cupisset." - "Não teria podido alcançar aquilo, ainda que tivesse desejado." (Cícero, Pro Milone 8,21).

"Quamvis ille felix sit." - "Embora ele seja feliz..." (Cícero, Pro Roscio Amerino 8,22).

"Socrates cum facile posset educi, noluit." - "Sócrates, embora pudesse facilmente ser levado para fora (do cárcere), não quis." (Cícero, Tusculanae 1,29,71).

"Ut desint vires, tamen laudanda voluntas." - "Embora faltem as forças, todavia deve-se elogiar a boa vontade". (Ovídio, Epistulae ex Ponto 3,4,79).

"Fremant omnes licet, dicam quod sentio." - "Direi o que penso, ainda que todos protestem." (Cícero, De Oratore 1,44,195).

"Ipse sese in cruciatum dari cupiebant, dum de patris morte quaereretur." - "Ele desejava ser atirado aos tormentos, contanto que se instituísse um processo a respeito da morte do pai." (Cícero, Pro Roscio Amerino 41,119).


Comparativas: são geralmente constituídas com o verbo no indicativo. As comparativas de igualdade usam as conjunções UT, SICUT, PROUT, VELUT, QUEMADMODUM, TAMQUAM e QUASI, entretanto, pode-se também formar este tipo oracional com adjetivos ou advérbios que indiquem semelhança ou diferença (similis, aequus, par, idem; similiter, pariter, perinde, proinde, aeque, juxta; dissimilis, alius, contrarius; aliter, secus, contra, etc.) unidos à oração seguinte mediante AC ou ATQUE e, menos frequentemente, ET ou QUAM.

"Ut sementem feceris, ita metes." - "Colherás assim como tiveres semeado." (Cícero, De Oratore 2,65,261).

"Sicut ait Ennius." - "Assim como diz Ênio." (Plauto, Mostelaria 77,1)

"Prout cuiusque eorum aut natura aut studium ferebat, haec ad Pompeium detulerunt." - "Referiram todas essas circunstâncias a Pompeu, conforme exigia a índole ou a ambição de cada um deles." (César, B.C. 3,61,3).

"Concurrunt velut venti." - "Juntos correm como os ventos." (Ênio, An 304).

"Quemadmodum vellent, imperarent." - "Ordenassem como quisessem." (César, B.G. 1,36,1).

"Accipe quomodo das." - "Recebe como dás." (Marc. 10,17,8).

"Ephesi fui... tamquam domi meae." - "Estive em Éfeso como se estivesse em minha casa." (Cícero, Ad Familiares 13,69,1).

"Quasi poma ex arboribus... vi evelluntur." - "Como se arrancam à força os frutos das árvores." (Cícero, C.M. 71).

"Quaeritur idemne sit pertinacia et perseverantia." - "Pergunta-se se a obstinação é a mesma coisa que a perseverança." (Cícero, Topica 23,87).

"Ne sim salvus, si aliter loquor ac scribo." - "Possa eu morrer se falo diferentemente do que escrevo." (Cícero, Epistulae ad Atticum 16,13, A.1).

"Faciam contra atque in ceteris causis fieri solet." - "Agirei diferentemente do que se costuma fazer nas outras causas." (Cícero, Pro Sulla 24,69).

"Zeno perpessus est omnia potiusquam conscios indicaret." - "Zenão sofreu todos os tormentos antes que revelar os seus cúmplices." (Cícero, Tusculanae 2,22,52).

"Cur me flentes potius prosecuti sunt quam relinquerunt." - "Por que em vez de me abandonarem, me acompanharam chorando?" (Cícero, De Domo Sua ad Pontifices 22,56).

"Minor caedes fuit quam pro tanta victoria." - "A matança foi pequena demais em comparação de tão grande vitória." (Tito Lívio, Ab Urbe Condita Libri 10,14,21).


Temporais: as constituídas com POSTQUAM ou POSTEAQUAM, UBI, CUM, DUM, DONEC, QUOAD, usam geralmente o verbo no indicativo, raramente no subjuntivo. Com ANTEQUAM, ANTEAQUAM e PRIUSQUAM pode-se encontrar o presente do indicativo ou do subjuntivo se o verbo da subordinante se encontrar em um tempo principal, ou pode-se ter o perfeito do indicativo ou o imperfeito ou o mais-que-perfeito do subjuntivo se o verbo da subordinante se encontrar em um tempo secundário.

"Post diem tertium gesta est res, quam Clodius dixerat." - "A façanha se realizou três dias depois que Clódio a anunciara." (Cícero, Pro Milone 16,44).

"Relegatus mihi videor, postquam in Formiano sum." - "Parece-me que estou desterrado desde em que me acho na (minha) quinta de Fórmias." (Cícero, Ad Atticum 2,11,1).

"Hamilcar, posteaquam mare transiit, magnas res gessit." - "Amílcar depois de ter passado o mar, realizou grandes empresas." (Nepos, Vitae 22,4,1).

"Tum interficiere, cum nemo inveniri poterit qui id non iure factum esse fateatur." - "Serás morto, quando não houver mais ninguém que diga ter sido isso feito ilegalmente." (Cícero, Catilinária 1,2,6).

"Simul atque adsedisti, partem istam subselliorum nudam relinquerunt." - "Logo que te assentaste, deixaram vazia essa parte de cadeiras." (Cícero, Catilinária 1,7,16).

"Cato, quoad vixit, virtutum laude crevit." - "Catão, enquanto viveu, cresceu na glória das virtudes." (Nepos, Vitae 24,2,4).

"Expecta, amabo te, dum Atticum conveniam." - "Espera, por favor, até que eu possa falar com Ático." (Cícero, Ad Atticum 7,1,4).

"Donec eris felix, multos numerabis amicos." - "Enquanto fores feliz, terás muitos amigos." (Ovídio, Tristia 1,9,5).

"Ego hic cogito commorari, quoad me reficiam." - "Penso em ficar aqui até me restabelecer." (Cícero, Epistulae ad Familiares 7,20,2).

"Caesar me antequam vidit, reipublicae reddidit". - "César me restituiu à pátria antes de me ver." (Cícero, Pro Ligario 3,7).

"Priusquam signum pugnae daretur, Hannibal tabellarium mittit." - "Antes que fosse dado o sinal da batalha, Aníbal mandou um mensageiro." (Nepos, Vitae 23,11,1).

Paulo Barbosa

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ORAÇÃO ADJETIVA LATINA

ORAÇÃO ADJETIVA ou RELATIVA é aquela oração subordinada que se liga à oração subordinante mediante pronomes ou advérbios relativos tais como: que, quem, o qual, quem quer que seja, onde, etc.

Em latim este tipo de oração pode ser constituída com o verbo no modo subjuntivo e no modo indicativo. No modo subjuntivo estará a oração adjetiva que expressar a ideia concessiva, condicional, final, consecutiva ou causal, enquanto no modo indicativo estará a relativa que não encerrar nenhuma ideia de concessão, condição, fim, etc., quando exprimir explicação ou substituição de nome e quando traduzir orações outras, como veremos.

1. Orações adjetivas no subjuntivo


a) "Hi miserrimo exercitu Caesaris luxuriem obiciebant, cui semper omnia ad necessarium usum defuissent." - "Acusavam de luxo ao paupérrimo exército de César, ao qual tinham faltado até as coisas necessárias". (César, B.C. 3,96,2).

Note que em vez do cui pode-se usar o quamvis ei: concessiva, portanto.

b) "Haec et innumerabilia ex eodem genere qui videant, nonne cogatur confiteri deos esse." - "Quem visse estas e outras coisas maravilhosas do mesmo gênero, não seria obrigado a admitir que os deuses existem?" (Cícero, De Natura Deorum 2,4,12).

Note que em vez do qui pode-se usar o si quis: condicional, portanto.

c) "Caesar premittit (milites) qui videant, quas in partes hostes iter faciant." - "César manda na frente (soldados) que vejam em que direção marchem os inimigos". (César, B.G. 1,15,1).

Note que em vez do qui pode-se usar o ut final.

d) "Neque is sum, qui mortis periculo terrear." - "Nem sou tal que possa ser atemorizado pelo perigo da morte." (César, B.G. 5,30,2).

Note que em vez do qui pode-se usar o ut consecutivo.

e) "Maluimus iter facere pedibus, qui incommodissime navigavissemus." - "Preferimos viajar a pé, pois tínhamos navegado muito mal." (Cícero, Epistulae ad Atticum 5,9).

Note que em vez do qui pode-se usar o quod causal.

f) "Est inocentia affectio talis animi quae noceat nemini." - "A inocência é tal disposição da alma que não prejudica a ninguém." 

Note que em vez do quae pode-se usar o ut consecutivo.

2. Orações adjetivas no indicativo

a) "Caesar Helvetios in fines suos, unde erant profecti, reverti iussit." - "César mandou os helvécios voltarem para as suas terras, das quais tinham saído." (César, B.G. 1,28,3).

Nesta oração não se encontra nenhuma ideia de fim, de consequência, etc. Logo, o verbo está no modo indicativo.

b) "Est in carcere locus, quod Tullianum appellatur". "No cárcere há um lugar que se chama Tuliano." (Salústio, De Coniuratione Catilinae 55,3).

Nesta oração relativa também não se nota nenhuma ideia de fim, de consequência, etc. 

c) "Quae homines arant." "Que os homens aram". (Salústio, De Coniuratione Catilinae 2,7).

Nesta oração há explicação ou substituição do nome 'os campos': as coisas que os homens aram só podem ser os campos.

d) "Quae terra gignit." "O que a terra produz". (Cícero, De Natura Deorum 1,2).

Aqui novamente há uma explicação ou substituição do nome 'os produtos da terra': o que a terra produz são os produtos da terra.

e) "Quae vestra prudentia est." "Que é a vossa prudência."

Nesta oração relativa o que se quer dizer é: prudentes como sois, que também poderia ser dito de outra forma: pro vestra prudentia = em vista de vossa prudência.

ADENDO

Algumas orações relativas ou adjetivas que se encontram com expressões redundantes formadas com o verbo ser em latim são suprimidas. Exemplos:

a) Foi Maria quem primeiro enfaixou a ferida

      1º = Maria foi a primeira que...

      2º = Maria foi a primeira a enfaixar...

Maria prima vulnus obligavit.


b) Tu és o único que se queixa.

(Tu) unus quereris.

Paulo Barbosa

sábado, 25 de novembro de 2017

TÉCNICA LITERÁRIA: ESTILO

ESTILO é aquele modo especial que cada um tem de exprimir os seus pensamentos, de manifestar a sua alma. A definição clássica que dele temos é a do naturalista e escritor francês Buffon (1707-1788): "Estilo é a ordem e o movimento que pomos em nosso pensamento", apesar de aí duas falhas permearem, pois, com a ordem que a inteligência estabelece e com o movimento, efeito da vontade sensível, deve-se ajuntar o colorido, fruto da imaginação. Em segundo lugar, esta ordem, movimento e colorido são postos não somente em nossos pensamentos, mas ainda na expressão dos mesmos.

Origem da palavra. A palavra estilo tem sua origem de um instrumento, um ponteiro de ferro, usado pelos antigos para escrever sobre tábuas enceradas. 

Todo ser humano possui estilo. Xavier Marques (1861-1942), ensaísta brasileiro, romancista, político, poeta e jornalista, em sua obra "Arte de Escrever" ensina que "estilo é a expressão da personalidade" o que, portanto, nos faz crer serem todos os homens possuidores do seu como cada rosto humano possui a sua própria fisionomia. O mesmo ensaísta baiano linhas adiante escreve: "Tantos indivíduos, tantos caracteres, tantos escritos, tantos estilos". Não é, pois, o estilo um predicado excepcional, privilégio de poucos, mas foi partilhado a todos os mortais que pensam e fazem da palavra uma arte.

Fundo e forma. O estilo possui fundo e forma, sendo o primeiro a sua substância, a sua essência, a parte mais recôndita e íntima e o segundo a sua aparência, a sua configuração externa. Porém, tão unida é a aparência com a substância que não há meio de separá-los, não nos sendo permitido mesmo conceber qualquer pensamento que seja a não ser por meio de palavras ou de termos adequados e desta íntima conexão vem a feliz consequência prática do cultivo da forma, do aperfeiçoamento da sentença, pois aperfeiçoar a expressão é aperfeiçoar a própria ideia.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

TEORIA LITERÁRIA: DA TOTALIZAÇÃO HUMANA OU SOBRE A REALIDADE


A existência humana é composta por três vidas diversas, a vida dos sentidos que a luz dos olhos nos coloca em posse; a vida racional que acessamos através da luz da razão e a vida da fé que nos é acessível através da graça divina. A esta totalização de vidas é o que se denomina realidade.

Devido a esta tríplice vida humana, os homens se dividem em relação à concepção da realidade em três grandes segmentos, a saber:

1. Há os que apreciam apenas a realidade dos sentidos: realismo sensualista.

2. Há os que ficam satisfeitos com a realidade dos sentidos e da razão: realismo experimental.

3. Há os que pedem a realidade dos sentidos, da razão e da fé: realismo integral.

O REALISMO SENSUALISTA é o segmento que mais adeptos possui em nossos dias com a imensa coorte dos sensualistas que o capitalismo ateu contemporâneo criou e espalhou por toda a face da terra. Tristão de Athayde ao falar deste realismo discorre assim sobre suas causas: "Perdido todo contato com Deus, abandonada toda preocupação sincera de reforma social, seccionados todos os laços com a tradição, dá-se entre esses sibaritas de uma civilização agonizante um movimento instintivo e voluntário ao mesmo tempo, no sentido de arrancarem à realidade, às coisas concretas e tangíveis, o máximo que elas possam dar."

O REALISMO EXPERIMENTALISTA é uma consequência da realeza do Homem sobre o universo seguido pelos homens que invocam a realidade como guia de ação, homens estes partidários do realismo sistemático e experimental, filiados ao materialismo científico, ao materialismo revolucionário e ao positivismo herdado do século XIX. Tristão de Athayde desta classe disse: "São todos fieis de Haeckel, de Marx ou de Comte, e que, hoje em dia, juram por Freud, por Lenin ou pelo sociologismo humanitário derivado do evolucionismo de Spencer e do agnosticismo de Kant, que invadiu todas as universidades leigas e anima os movimentos de humanitarismo burguês, como o rotarismo, o internacionalismo da ONU ou o nosso panamericanismo continental."

O REALISMO INTEGRAL é o que considera a realidade natural como sendo uma face apenas da realidade total, reconhecendo o sobrenatural como sua parte, reintegrando Deus como explicação total do Universo.

Paulo Barbosa

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CURSO DE LATIM ONLINE 2018


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Paulo Barbosa

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

DISCURSO: FIGURAS DE PENSAMENTO PARA MOVER A SENSIBILIDADE


O DISCURSO, como já vimos, necessita de alguns artifícios para que as ideias nele apresentadas se tornem realçadas, suavizadas e os sentimentos concretizados. Após tratarmos das duas primeiras Figuras ou Artifícios, os que visam mover a inteligência e a vontade, veremos neste tópico as Figuras que visam mover a sensibilidade ou as Figuras para Recrear.

Esta classe de Figuras comporta apenas duas, a correção e a anamnese.

1. CORREÇÃO: é a figura em que se escolhe criteriosamente as palavras tornando assim o discurso bem articulado, apropriado a fornecer uma comunicação mais eficaz com o auditório. 

2. ANAMNESE: é a figura em que finge lembrar-se de uma coisa, de um fato, que ia se esquecendo.


A BASE DAS FIGURAS

A COMPARAÇÃO é a base de todas as verdadeiras figuras, sempre constando de dois termos onde o segundo esclarece o primeiro. O primeiro termo muitas vezes vem oculto ainda que presente ao espírito, enquanto o segundo sempre expresso. A aproximação de duas ideias sempre conduz a clareza maior.

Dois termos unidos podem vir expressos por simples aposição ou pelos seguintes conectivos de forma positiva: como, diferente de, igual a, superior a, inferior a, mais do que, menos do que, parecido com, etc., e os seguintes de forma negativa: não como, não diferente de, não igual a, não superior a, não inferior a, não mais do que, não menos do que, nada parecido com, etc.

Notemos que o próprio nome figura significa aparência, simulação de uma realidade - do verbo latino fingere = modelar, formar, copiar -, o que, portanto, deve fazê-la corresponder a uma realidade. Aparência e realidade são, pois, os dois termos da comparação que sempre existem em qualquer figura.

Paulo Barbosa

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DISCURSO: FIGURAS DE PENSAMENTO PARA MOVER OU DIRIGIDAS À VONTADE

O discurso de um orador tem por objetivos primordiais atingir as faculdades humanas - a inteligência, a vontade e a sensibilidade -, mas para que isso, de fato, ocorra, as suas palavras e frases devem estar revestidas de roupagens adequadas, de recursos que as tornem adornadas, provocativas, claras e eficientes. Tais recursos são as Figuras

As Figuras de Pensamento, como já visto anteriormente, se subdividem em 3 espécies, as dirigidas à inteligência - Figuras para provar -, as dirigidas à vontade - Figuras para mover - e as dirigidas à sensibilidade - Figuras para recrear. Já visto em anterior Tópico a primeira espécie, veremos agora a segunda.

Figuras para mover são as sete seguintes:

1. EXCLAMAÇÃO: é a figura em que se exprime sentimento de espanto, alegria, admiração, mediante uma palavra ou expressão. O orador ao usar tal recurso manifesta uma consideração mental ou uma mudança de humor o que, geralmente, move a vontade do ouvinte.

2. PARRESIA: é a figura de pensamento em que o orador, o palestrante, torna manifestamente claro e óbvio que o que ele diz é a sua convicção, o seu pensamento, a sua opinião e, mais ainda, a verdade. Nesta figura não se usa nenhuma forma retórica para encobrir o pensamento do orador, mesmo que o que diz seja perigoso para si mesmo, até envolvendo riscos. Parrhesiazesthai significa 'dizer a verdade' e parrhesiastes é aquele que diz a verdade, é aquele que não apenas emite uma opinião sua, mas proclama a verdade, traduz a realidade das coisas em seu discurso. Exemplos de Parresia temos na  Sétima Carta de Platão quando este afirma do tirano Dionísio II de Siracusa "não seja capaz de viver para a sabedoria e a virtude" ou a afirmação de Levi Fidelix de que "aparelho excretor não reproduz".

3. PROSOPOPEIA: é a figura de pensamento que atribui qualidades humanas a seres inanimados ou falas a seres ausentes e mortos. É a atribuição de vida ou qualidades humanas a seres inanimados, irracionais ou mortos. Exemplos temos nos Lusíadas (I, 14): "Por quem sempre o Tejo chora", na Bíblia: "A voz do sangue de teu irmão clama da terra por mim" (Gn. 4,10), "Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem é como tu?" (Sl. 35,10).

4. APÓSTROFE: é a figura mediante a qual o orador interrompe o discurso para dirigir suas palavras a pessoas ou coisas reais ou fictícias. Exemplos temos nos Lusíadas (I,4): "E vós, Tágides minhas, pois criado tendes em mim um novo engenho ardente", em Vozes D'África, obra de Castro Alves: "Deus! ó Deus, onde estás que não me respondes?"

5. HIPOTIPOSE: é a figura de pensamento em que o orador pinta os fatos de que está tratando como se o que se estes estivessem realmente diante de seus olhos. Nesta figura concorrem a descrição e a narração guardando, cada uma, as suas características distintivas. La Fontaine diz que a hipotipose 'pinta as coisas de maneira tão viva e energética que as põe de algum modo sob os olhos'... Exemplo de hipotipose é encontrado em Vergílio Ferreira, Na Tua Face: "Lesta e loura, vejo-a subindo os patamares da entrada até o sítio da minha confusão. Traz um vestido claro e de meia manga, que à imaginação me parece transparente de tule, um elástico no braço a segurar. E quando chega ao pé de mim, tem uma cara fria branca assexuada. E uns olhos de minério azul".

6. APOSIOPESE: é a figura pela qual o orador suspende um pensamento já iniciado por meio de um corte repentino na cadeia sintática. É o silêncio súbito, a interrupção, as reticências do orador. A aposiopese é uma espécie de anacoluto consciente assinalando o momento em que o orador interrompe bruscamente a sequência das ideias: 1) ao perceber vai adiantar raciocínios ou surpresas, 2) quando pretende enfatizar as palavras, 3) quando se dá conta de que vai dizer mais do que deseja ou necessita. Exemplos temos na Bíblia, Gn. 3, 22: "Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente", em Garret, Frei Luís de Souza: "Deus tenha misericórdia de mim! E esse homem... Jesus! Esse homem era... esse homem tinha sido...", em Machado de Assis, Ressurreição: "Seria inútil querer dissuadi-la, e ainda que não fosse inútil, seria desarrazoado, porque uma viúva moça... Ela amava muito o marido, não?".

7. ETOPEIA: é a figura mediante a qual o orador descreve os costumes, as paixões e as inclinações de uma pessoa. Exemplo desta figura: "Margarida é uma mulher afável e predisposta ao diálogo. Pese a que teve uma infância e juventude complicada, nunca deixou que o sofrimento se refletisse em seus atos e palavras. Por isso sempre se dirige a todos com um sorriso, disposta a dar a ajuda de que necessitam".

Paulo Barbosa