quarta-feira, 7 de julho de 2021

PROSA, MANIFESTAÇÃO NATURAL DA ALMA HUMANA

 PROSA é a manifestação verbal, oral ou escrita, mas natural e espontânea, da alma humana. É a forma normal do discurso falado ou escrito sem a preocupação com o ritmo nem com a métrica. A palavra vem do advérbio latino "prorsus", conduzido para frente.

DESENVOLVIMENTO DA PROSA

Desde muito cedo o ser humano aprende a falar, brotando depois, de maneira espontânea, a palavra que traduz, sem dificuldade, todas as modalidades ou pensamentos do espírito. São estas manifestações verbais, orais ou escritas, que se nomeiam de modo genérico prosa. Nesta acepção, a prosa flui da alma humana como as plantas e as flores crescem da terra fértil, porém, como há partes da terra privilegiadas, que fazem brotar mil flores viçosas, e outras menos bem beneficiadas, e ainda outras terras quase áridas e desertas, assim também há a prosa seca e ríspida, e a prosa adornada, ainda que sem cultura.

CULTIVO DA PROSA

O cultivo da prosa se faz mediante o estudo acurado da gramática e da estilística, pois aí estão compendiados as normas de uso geral para a manifestação do pensamento, conferindo à prosa o cunho de elegância, de bom gosto e de maior eficiência. É com a assimilação de tais regras que o homem desenvolve seus recursos inatos, produzindo uma prosa não somente ataviada, enfeitada, mas cultivada, artística e poética.

Paulo Barbosa

terça-feira, 6 de julho de 2021

DISSERTAÇÃO, UM TIPO TEXTUAL

 DISSERTAÇÃO é o desenvolvimento de um pensamento, de uma tese, de uma opinião, de uma experiência ou de uma verdade teórica por meio do raciocínio, ou seja, da análise e síntese que chegam a uma conclusão. De todos os tipos textuais, de todos os exercícios de composição, é o mais complexo, o mais difícil, e também o mais importante, pois entra em todos os assuntos, podendo ser científica, filosófica, doutrinária, moral, pedagógica, legislativa, etc.

Requisitos da dissertação. Além das qualidades gerais que deve possuir um estilo - correção, concisão, naturalidade, variedade, elegância, harmonia -, a dissertação deve apresentar outras duas:

1. o rigor das definições. Por esta se dá a conhecer uma coisa expondo a sua natureza com grande exatidão, distinguindo-a das demais do mesmo gênero através das circunstâncias e qualidades que lhe são próprias e lhe constituem a diferença. 

2. a lógica da exposição. Os argumentos devem estar sempre concatenados metodicamente.

Evolução da dissertação. Esse tipo textual é o estilo mais antigo, pois o homem antes de referir aspectos e fatos teve a necessidade de argumentar, de expor suas análises, de defender suas ideias e divulgá-las em seguida. Pode-se afirmar mesmo que a narração e a descrição são mais ou menos facultativas enquanto a dissertação obrigatória, se impondo. Os textos mais remotos historicamente são os códigos, dissertação legislativa.

Em português a dissertação aparece nos séculos XIII e XIV com os forais, cartas régias que concediam privilégios a terras, corporações ou indivíduos. A Regra de São Bento, do século VI, conjunto de preceitos regulatórios de mosteiros beneditinos, é tipo de dissertação doutrinária e moral. A Arte de Bem Ensinar a Cavalgar ou Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela, do século XV, de autoria do rei português Dom Duarte I, um dos manuais mais antigo sobre hipismo, é modelo de dissertação pedagógica, assim como pedagógica é a Gramatica da Lingoagem Portuguesa, de Fernão de Oliveira, frade e gramático do século XVI, e a de João de Barros. Corte na Aldeia, do século XVII, obra em forma de diálogo que dá preceitos de vida na corte, de autoria de Rodrigues Lobo, é modelo de dissertação filosófica. Enfim, exemplar de dissertação científica são os Colóquios dos Simples e Drogas, do século XVI, tratado de medicina da autoria de Garcia da Orta, naturalista, médico português e pioneiro da medicina tropical.

A dissertação em Bernardes e Rui Barbosa. Manuel Bernardes, século XVIII, um dos maiores clássicos da prosa portuguesa, diferentemente do estilo discursivo dos antigos - estilo difuso pelo excesso de subordinação e acumulação - dissertava com clareza graças à sua concisão, sendo seu vocabulário muito rico e sempre apropriado, preciso, conferindo, portanto, singeleza, colorido e graça aos seus textos. Bernardo diz o que pensa direta e rapidamente, características da concisão, não se perdendo em rodeios como os seus antecessores.

Rui Barbosa, séculos XIX-XX, destacado advogado, filólogo e orador brasileiro, deve ser distinguido nos vários estilos que usou:

a) estilo polemista - predominante no seu jornalismo, onde se destacam os processos vigorosos como as antíteses, a adjetivação viva ou exagerada, as frases curtas e as coordenações.

b) estilo parlamentar - como no Ensaio Sobre Carlyle, Cartas da Inglaterra, a fraseologia é mais ornada, bem feita, com períodos harmoniosos e efeitos para o público como as acumulações ternárias.

c) estilo doutrinário - onde Rui usa de uma exposição calma, equilibrada, rica de vocabulário e metáforas.

d) estilo didático - de perfeita clareza e concisão, como se encontra na Réplica.

Paulo Barbosa

segunda-feira, 5 de julho de 2021

NARRAÇÃO: ANÁLISE E LEIS

 ANÁLISE DA NARRAÇÃO

A NARRAÇÃO, qualquer que seja, é distinguida em três partes:

1. a exposição. Nessa parte se pinta com vivacidade a situação inicial e terá de ser clara, brevíssima e muito simples.

Marta e João, vê-se imediatamente que são duas crianças em luta contra a vontade da mãe.

2. o enredo. Aqui são expostas as modificações que ocorrem alterando a situação inicial. Deve provocar a curiosidade do leitor ou do ouvinte, evitando sempre as explicações intempestivas.

Marta e João convencendo a mãe que, por sua vez, procura convencer o pai. Que resiste. Vem a cólera infantil. Uma choradeira perturbadora. Triunfará?

3. o desfecho. É a situação final que será aprovada ou reprovada, mas que traz sempre alegria porque satisfaz a curiosidade provocada pelo enredo.

Marta e João, sim, foram passear. A mãe conseguiu e obteve que o marido carregasse Marta.

LEIS DA NARRAÇÃO

Três são as leis que regem a narração:

1. lei da verdade dos caracteres, ou seja, da fisionomia moral do indivíduo da narrativa. Qualquer que seja a personagem terá de manisfestar o seu gênio, suas tendências e conservar esta feição até o fim.

2. lei da unidade e graduação, quer dizer, havendo um fato dominante na sequência narrativa, todos os demais a ele devem se subordinar como simples episódios. 

3. lei da vivacidade, pois cada episódio, cada situação, deve ser narrado com vida, com colorido.

Paulo Barbosa

sábado, 3 de julho de 2021

NARRAÇÃO, UM TIPO TEXTUAL

 NARRAÇÃO é o tipo textual  em que se encontra uma animada pintura da vida humana, uma verdadeira sequência de fatos ou episódios sobre alguém. É mais do que a simples descrição na ordem crescente de complexidade e dificuldade.

Diferença entre descrição e narração. A descrição faz ver um objeto, uma pessoa, uma paisagem, até mesmo um ato, porém, não penetrando na sua essência, no seu íntimo, não conhecendo o seu fator psicológico, a sua causa. Já a narração deve fazer tudo isso que se omite na descrição, deve manifestar o estado de espírito, os sentimentos, a profundidade da alma, produzindo, por assim dizer, uma verdadeira sequência de atos humanos.

Evolução da prosa narrativa. Entre os gregos e romanos esse tipo textual teve pouca importância, pouco desenvolvimento, mas o encontramos, todavia, nas fábulas de Esopo, nos apólogos míticos e filosóficos de Platão, na História de Alexandre Magno por Quinto Cúrcio. Na Idade Média, aparecem os ciclos romanescos de Carlos Magno e seus pares, de Artur ou da Távola Redonda. No século XVII, a poesia bucólica começa a ser narrativa. No século XVIII, surge o romance de costumes, narração filosófica, péssima e perversa nas mãos de Voltaire, histórica e pesada com Marmontel, idílica e pastoral com Bernardin de Saint Pierre em "Paulo e Virgínia". No século XIX, a narração reveste todas as formas, investe em todos os campos, se torna presente em todos os desvarios políticos, morais e religiosos, porém, a sua técnica se apura. No século XX, alcançou o mais alto grau de perfeição.

As mais antigas narrações em português. Em português, as obras mais antigas em prosa narrativa são os denominados Nobiliários ou Livros de Linhagens, que são os registros e as crônicas da aristocracia lusitana. Encontra-se também no Fabulário conhecido como Livro de Esopo do século XIV.

A narração dessa época é caracterizada pela infantilidade da prosa, por períodos construídos com acúmulos de orações coordenadas continuamente presas pela conjunção e e a prosa se limitava a transmitir pura e simplesmente o modo de falar popular sem nenhum adorno literário.

A esse período se segue a chamada Escola Espanhola, que vai de 1383 a 1521, época dos cronistas nomeados pelos reis para escrever os feitos do reino. As crônicas, escritas por homens ilustrados, já possuem todo um trabalho literário. Em vez de construção simplista, de orações coordenadas, prepondera a construção latina, com períodos plenos de subordinadas. Fernão Lopes, pai da historiografia portuguesa, é o mais singelo da Escola por ser mais chegado ao modelo popular. Já Rui de Pina, diplomata e cronista português, produz períodos em que as subordinadas se sobrepõem de tal modo que se torna com muita frequência incompreensível e indigesto. Eanes de Zurara também abusava das construções subordinadas.

A Escola Quinhentista sucedeu à Espanhola, influenciada pela Renascença italiana. O estilo torna-se ornado, os escritores estudam a fundo a retórica de Cícero e imitam o estilo dos prosadores latinos. Até as mulheres estudam latim e grego, como Paula Vicente e outras. Entre os cronistas desta época sobressaem João de Barros com as "Décadas", concluídas por Diogo do Couto, e Fernão Lopes de Castanheda. Portugal lança-se ao mar fazendo-se descobridor de novas terras, aparecem viajantes com suas narrações de viagens. Fernão Mendes Pinto é um dos que se avulta no gênero. A prosa dos escritores é sincera e desperta interesse, pois narram o que viram e ouviram. Surge também a crônica pessoal com Bernardim Ribeiro, autor de "Menina e Moça", primeiro ensaio de prosa de romance, sempre com inclinação para o período subordinado.

A Escola Gongórica, século XVII, possui uma prosa narrativa cheia de afetação e, muitas vezes, com excesso de cultismos. Frei Luiz de Sousa se faz notável entre os historiadores ainda não contaminado e cuja expressão é bastante pura, sem floreios. Jacinto Freire de Andrade, pelo contrário, é exímio exemplo de afetação e ornamentos em sua "Vida de Dom João de Castro". Padre Manuel Bernardes, embora não abandonasse de todo o cultismo, é um narrador de gênio, narrando sobretudo milagres e lendas com uma prosa entre a clássica e a moderna onde se encontram as qualidades de concisão, clareza e precisão invulgares.

A Escola Romântica, nos séculos XVIII e XIX, cria um outro estilo narrativo, deixando de lado os períodos subordinados e o estilo indireto. Torna-se uma produção concisa e rápida, com a composição predominando mais pela coordenação do que pela subordinação. O novo estilo vai em busca de termos de reforço, procurando intensificar os fatos e dando vida às personagens. Se nas narrativas antigas os fatos se sucediam, nessa moderna, são as personagens que se sucedem realizando os fatos. No fundo, a escola romântica substituiu quase a narração por uma descrição com aspectos movimentados, sendo esse o característico da prosa narrativa de nossos dias nos romances e nas novelas.

Paulo Barbosa

sexta-feira, 2 de julho de 2021

DESCRIÇÃO, UM TIPO TEXTUAL

 A DESCRIÇÃO pode ser definida como a representação, a exposição, por meio da palavra oral ou escrita, dos aspectos de um ser. É, no fundo, uma sequência de aspectos. 

Três podem ser sua espécie: de interior, de paisagem e de indivíduo.

Exemplo da primeira podemos ver na seguinte descrição de uma casa nova:

"... Morava em uma casa nova, bem coberta de telhas coloniais, com esteios e portas de madeira lavrada e paredes bem ornamentadas por dentro e por fora".

Exemplo de descrição de paisagem sobre o céu:

"... De fato, para os lados de Ouro Preto, havia nuvens acasteladas entre os morros vagamente ameaçadoras na sua cor acinzentada e triste. Um gavião começou a circular por cima da mata, com preguiça, dois tucanos principiaram de uma banda a outra da estrada um diálogo em voz rachada e enfadonha, e o sol teve sombras intermitentes a cobrirem-lhe a face esfogueada".

Exemplo de descrição de indivíduo sobre um desembargador:

"Desembargador. Um metro e setenta e dois centímetros, culminando na cabeça calva todos os pensamentos nobres, desinteressados, equânimes. E o fraque? O fraque austero como convém a um substituto profano da toga. E os óculos? Sim, os óculos. E o anel de rubi? É verdade, um rutilante anel de rubi. O tronco levantado, os ombros horizontais, os braços a prumo. Que carrega na mão direita? A pasta. A divina Têmis não se vê. Mas está atrás. Naturalmente. Sustentando sua balança. O desembargador Lamartine de Campos. Aí vem ele. Paletó nobre, colarinho alto".

Modos de fazer uma descrição. A representação dos aspectos pode se fazer de três maneiras:

1. pela simples menção de todos eles, verdadeiro elenco do conjunto das qualidades de um ser.

2. seleção dos aspectos mais nobres, mais característicos.

3. intensificação dos aspectos na cor, na sombra, com variadas imagens, etc.

Evolução histórica do estilo descritivo. Homero, poeta épico da Grécia Antiga que viveu por volta do século VIII a.C., é o modelo incontestável do estilo descritivo. A seguir, os autores clássicos latinos começaram a imitar as obras-primas dos gregos, porém, sabendo imprimir uma originalidade própria. Camões (1524-1580) usou a descrição poética imitada de Homero e Vergílio, mas como processo independente. Padre Antônio Vieira (1608-1697) produziu célebres descrições em seus sermões, como a do polvo e a da estátua. No século XVIII, era do arcadismo, a descrição de paisagem torna-se sistemática, procurada, independente da narração, mas sempre imitação de Vergílio. Os tipos são geralmente retratos quase sempre satíricos. As descrições são gerais, como se pode constatar no soneto da tempestade de Gregório de Matos e em várias églogas de Bocage. No século XIX esse estilo foi aperfeiçoado por Chateaubriand (1768-1848), escritor e ensaísta francês, ao criar a descrição colorida com intensificação dos aspectos por meio da seleção, da metáfora e da comparação. No século XX nasce a descrição realista, impressionista, verdadeira, por assim dizer, que consegue produzir efeito análogo ao do pintor com as cores de sua paleta, representando o objeto material de modo que se perceba pelos olhos da imaginação. Flaubert (1821-1880) culminou na França com essa modalidade descritiva. No Brasil, a descrição local se inicia com Castro Alves (1847-1871), poeta brasileiro, baiano, que em sua obra póstuma "Os Escravos" descreve saborosamente a cachoeira de Paulo Afonso. Depois, segue-se Olavo Bilac e Euclides da Cunha em "Os Sertões".

Paulo Barbosa

quinta-feira, 1 de julho de 2021

JULHO, O MÊS DE JÚLIO CÉSAR

 JULHO, o sétimo mês do ano, é palavra proveniente do latim Iulius, Júlio, em honra a Júlio César (100-44 a.C.), patrício, militar e político romano. Aliás, o nosso atual calendário é fruto de uma reforma levada a cabo por ele, pois o que até então estava em vigor, pela duração dos meses, não se ajustava com o real ciclo do sol. Na reforma, César pede a colaboração de Sosígenes de Alexandria, famoso astrônomo e conhecedor profundo do ano solar, já medido e usado há tempo pelos egípcios. As principais alterações assinaladas ao calendário juliano foram a fixação do ano em 365 dias, à imitação dos egípcios que assim fizera desde 2800 a.C.; o estabelecimento do ano em 12 meses; a determinação de que fevereiro, a cada quatro anos, deve ter um dia a mais para se ajustar ao sol; o primeiro dia do ano passa a ser o dia das calendas de janeiro ou 1 de janeiro, oito dias após o solstício de inverno.

O calendário anterior a Júlio Cesar era atribuído a Rômulo, criado quando se deu a fundação de Roma em 753 a.C., e o ano era distribuído em 304 dias. Numa Pompílio, seu sucessor, modificou-o, passando o ano a ter 365 dias, porém com o acréscimo de um mês extra - mensis intercalaris - de dois em dois anos, fazendo dos anos uma sequência irregular de dias. Foi esse calendário que sofreu a reforma juliana, entrando em vigor em 46 a.C., e renomeando, através de decisão do Senado Romano, o nome do mês de quintilis - o quinto mês do ano, pois o ano começava em março - para julho. Inclusive, o próprio Júlio César nasceu no mês que levaria seu nome, 13 de julho de 100 a.C.

Paulo Barbosa

quarta-feira, 30 de junho de 2021

DOMI HABUI UNDE DISCERET

 DOMI HABUI UNDE DISCERET, teve de quem aprender em casa, é uma expressão latina encontrada em Terêncio (185-159 a.C.), mais precisamente em sua obra Adelphoe (v. 413). Tal expressão se tornou muito conhecida na Antiguidade para indicar o ensino ministrado em casa aos filhos ou até mesmo ao processo de ensino autodidata. Sidônio Apolinário (430-486), poeta, funcionário do império romano e bispo, citou expressamente a expressão em sua obra (Ep. 7,9,19) e Plauto (230-180 a.C.), dramaturgo romano, criou uma locução afim, Domo doctus, que aprendeu em casa (Amphitruo, 637, Mercator, 355, Poenulus, 216, Truculentus, 454), porém para indicar que alguém adquiriu conhecimento à sua própria custa.

Paulo Barbosa

TATO, FARO E GOSTO INTELECTUAL: SENTIDOS IMATERIAIS DO HOMEM

 SENTIDOS IMATERIAIS DO HOMEM

O paladar animal tem a possibilidade de perceber sensações de sabores agradáveis e desagradáveis que são denominadas gosto. É o gosto físico, preso aos sentidos do organismo animal. O homem, entretanto, além dessa espécie de gosto, por ser animal racional, possui também sentidos imateriais, intelectuais, que percebem inteligivelmente de três maneiras:

1ª - o tato intelectual: é quando o sentido imaterial da inteligência percebe, conhece a ideia exata, perfeita, daquilo que se deve executar ou omitir a execução, dizer ou deixar de dizer, e isso em todas as circunstâncias da vida.

2ª o faro intelectual: é a inteligência humana no exercício de sua ciência de observação, faculdade de obervação, de reflexão e circunspecção, que mostra, previamente, as qualidades e os defeitos de uma pessoa, as vantagens e os inconvenientes de um fato. O faro intelectual é o olfato em posição de sentinela, assinalando os elementos proveitosos ou nocivos à economia vital.

O ouvido, sentido físico, tem na compreensão - percepção de conceitos pela inteligência - o sentido intelectual correspondente. A vista, no domínio intelectual denominado clarividência - qualidade intelectual de distinguir as coisas com facilidade e rapidez, com clareza e sem esforço.

3ª o gosto intelectual: é o sentimento intelectual delicado que preside e regula a apreciação de tudo quanto é belo, percebendo a harmonia, a proporção e demais qualidades componentes da beleza.

Paulo Barbosa