domingo, 15 de maio de 2011

PARA QUE SERVE O LATIM?


É esta uma pergunta frequente que surge até mesmo entre os estudantes da disciplina. Para respondê-la, apontamos de modo genérico, sem descer a profundidades, os principais objetivos do ensino do latim:

1. OBJETIVO HUMANÍSTICO

Uma das principais forças ou energia da língua e da cultura latinas é conduzir o estudioso para o humanismo, ou seja, para aquela formação profunda e perspicaz da inteligência humana mediante a cultura do espírito. Na realidade, a cultura do espírito, ou o espírito cultivado, adquire-se de forma profunda ao se tomar contato tanto com a língua quanto com a produção literária dos grandes autores latinos, e isto faz do latim, tido por muitos como língua morta, imortal e perene. Então, o latim humaniza, quer dizer, torna o homem mais humano, capacitado para utilizar suas potências distintivas - razão e vontade - com mais precisão, e disso, dessa humanização, decorrem efeitos mais propriamente humanos, como o hábito de concentração, as virtudes da paciência, da perseverança, da precisão, da análise e da generalização imparcial. O latim contribui de maneira excepcional para o desenvolvimento do poder de pensar com exatidão e correção, a maior finalidade da educação.

Poderíamos dizer que somente por este objetivo já valeria a pena estudar latim, pois a humanização é a fonte natural que mais efetiva o equilíbrio  do homem, propiciando-o a tornar-se senhor de si. 

2. OBJETIVO LITERÁRIO.

Outra contribuição do latim é permitir que se conheça e saboreie aos que tomam contato com as obras dos escritores clássicos os inestimáveis tesouros encerrados nelas. Podem objetar que a isto também se pode chegar mediante boas traduções. É verdade, não se contesta este fato, porém jamais uma boa tradução, ou até ótima, proporcionaria o sabor de sentir o verdadeiro estilo do autor e nem tampouco permitiria saborear certas sutiliezas perceptíveis somente através da leitura no original. Ao se apreciar as qualidades literárias dos autores latinos lidos, os elementos do estilo, estará também o leitor aprimorando o próprio estilo, adquirindo mais vigor e precisão e se capacitando criticamente para considerar e avaliar os próprios prosadores e poetas brasileiros. É, pois, o latim, uma ferramenta que confere capacidade crítica e melhoria na qualidade do gosto e do estilo literário pessoal. 

3. OBJETIVO DISCIPLINAR.

O latim com sua estrutura obriga ao estudante, desde o início, a usar do raciocínio de maneira bastante acentuada. Esta virtude lhe confere o epíteto de "A matemática das línguas". O flexionismo tanto nominal quanto verbal, a colocação das palavras na oração e o próprio léxico latino causam no discípulo a prática de habilidades recomendáveis ao desenvolvimento da inteligência como, por exemplo, a atenção concentrada ou dirigida, a acuidade intelectual e o procedimento metodizado, ordenado. Então, ao disciplinar o homem, humaniza-o. 

4. OBJETIVO PRAGMÁTICO.

É também o latim um facilitador para a compreensão da língua portuguesa, como por exemplo, o conhecimento da grafia das palavras derivadas do latim, uma melhor compreensão dos princípios gerais estruturantes do português, assim como uma melhor habilidade em falar e escrever corretamente.

Enfim, se alguém indagar para que serve o estudo do latim, as respostas imediatas podem ser uma das seguintes:

a) O latim humaniza, isto é, desenvolve qualidades tipicamente humanas como o raciocínio coerente, o pensamento preciso e a sua expressão, o poder de análise e a capacidade de generalizações imparciais.

b) O latim melhora ou aprimora o gosto literário, conferindo espírito crítico junto com a capacidade generalizada para apreciar obras e autores brasileiros e mesmo estrangeiros.

c) O latim proporciona maior capacidade para formulação do raciocínio abstrato.

d) O latim capacita a um maior conhecimento da própria língua portuguesa, dos princípios gerais da gramática, da compreensão do significado de muitas palavras derivadas dele e até de uma melhor habilidade para falar e escrever o vernáculo.

e) O latim propicia maior domínio dos termos técnicos e semitécnicos de origem latina usados em outras disciplinas, como medicina, biologia, direito, etc.

Paulo Barbosa.

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